O financista norte-americano Jeffrey Edward Epstein, encontrado morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores nos Estados Unidos, possui um Cadastro de Pessoa Física (CPF) ativo e classificado como “regular” na base de dados da Receita Federal brasileira.
A situação foi confirmada em 12 de fevereiro de 2026 pela Gazeta do Povo, que realizou a consulta diretamente no sistema do órgão. O comprovante apresentado pelo Ministério da Fazenda indica que o documento foi emitido em 23 de abril de 2003 e exibe o nome completo do financista.
Referência aparece em lote de documentos
A existência do CPF brasileiro está citada em um conjunto de arquivos divulgados em 30 de janeiro pelo Departamento de Justiça dos EUA, reunido sob o rótulo “Arquivos Diversos” relacionados ao caso Epstein. Entre mais de quatro mil registros, há trocas de mensagens, comprovantes financeiros e menções diretas ao Brasil.
O material inclui conversas que seriam de Epstein com o ex-agente de modelos francês Jean-Luc Brunel, também investigado por tráfico sexual. Nos diálogos, os dois discutem possíveis negócios com agências de modelos no país e a realização de concursos para selecionar jovens mulheres.
Outro trecho apresenta um depoimento prestado em 2010 à Justiça da Flórida, no qual uma testemunha afirmou que Epstein viajava com frequência ao Brasil e fazia contato com pessoas ligadas ao recrutamento de mulheres. O nome da suposta intermediária foi suprimido nos autos.
Há ainda registros de conversas entre Epstein e o ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon, nas quais ambos comentam a conjuntura política brasileira.
Posicionamento da Receita Federal
Procurada pela reportagem, a Receita Federal não havia se manifestado até a publicação desta matéria. Segundo informações disponíveis no site do órgão, brasileiros ou estrangeiros não residentes podem solicitar inscrição no CPF caso detenham bens ou direitos sujeitos a registro no Brasil, como imóveis, contas bancárias ou aplicações financeiras. O serviço também está aberto a qualquer pessoa física, mesmo sem obrigatoriedade formal.
Até o momento, não há explicações oficiais sobre as circunstâncias que levaram à emissão do documento para Epstein nem sobre a manutenção de seu status regular após seu falecimento.
Com informações de Gazeta do Povo