Home / Política / Investigadores da PF apontam pressões do gabinete de Toffoli no inquérito do Banco Master

Investigadores da PF apontam pressões do gabinete de Toffoli no inquérito do Banco Master

ocrente 1770931264
Spread the love

Brasília – Servidores da Polícia Federal e de outros órgãos que atuam nas apurações sobre a venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB) relatam incremento de pressões atribuídas ao gabinete do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo fontes ouvidas pela reportagem, as investidas cresceram a partir de dezembro de 2025 e tornaram-se mais intensas no início de 2026.

Indagações informais e escolha de peritos

Investigadores afirmam que assessores do ministro passaram a fazer sondagens sobre o material coletado em celulares do empresário Daniel Vorcaro, controlador do Master. Também teriam sido indicados profissionais específicos para acompanhar a extração de dados, movimento considerado incomum pela PF.

Relatório alerta sobre possível conflito de interesses

Na segunda-feira, 9 de fevereiro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, documento de cerca de 200 páginas mencionando indícios de proximidade entre Toffoli e Vorcaro. O texto registra ligações telefônicas entre ambos e convite do ministro para o aniversário dele, além de mensagens cifradas que sugeririam pagamentos ao magistrado.

Em nota, Toffoli afirmou “jamais ter mantido amizade” com o banqueiro.

Decisões contestadas pelos investigadores

Desde janeiro, agentes relatam prazos curtos e mudanças na guarda de provas que, em sua avaliação, podem limitar a autonomia da corporação. Um despacho de 14 de janeiro determinou que dispositivos apreendidos ficassem lacrados sob tutela do STF; dias depois, o material foi redirecionado à Procuradoria-Geral da República, mas com extração pericial acompanhada pelo gabinete do ministro.

Outro ponto citado foi a fixação de apenas dois dias para depoimentos considerados cruciais, período julgado inviável diante da complexidade das movimentações financeiras investigadas – estimadas em R$ 12 bilhões.

Tensão durante o depoimento de Vorcaro

O clima de atrito ficou evidente em 30 de dezembro de 2025, quando um juiz auxiliar de Toffoli encaminhou à delegada responsável uma lista de perguntas para Vorcaro. A delegada resistiu, alegando ser prerrogativa da PF conduzir o interrogatório. Após contato telefônico com o ministro, as questões foram feitas “em nome” do relator, relatam os presentes.

Envio integral dos dados ao STF

Nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, Toffoli determinou que a Polícia Federal entregue ao Supremo o conteúdo completo dos celulares apreendidos, atendendo a pedidos das defesas para acesso integral ao material e garantia do contraditório.

Próximos passos

O relatório da PF solicita autorização de Fachin para novas diligências, o que pode levar a etapas adicionais da operação e alcançar nomes do alto escalão dos Três Poderes. Fachin convocou reunião reservada com os ministros para tratar do tema. Até o momento, não há pedido formal de suspeição do relator, mas investigadores alegam que a medida visa resguardar a credibilidade do inquérito.

Com informações de Gazeta do Povo