O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado, senador Fabiano Contarato (PT-ES), anunciou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, que levará à votação requerimentos para ouvir o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seus irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli.
A iniciativa ocorre após a Polícia Federal identificar trocas de mensagens entre o magistrado e o banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, além de referências a pagamentos e convite para festas. Toffoli nega qualquer relação com o empresário e classificou as citações como “ilações”.
Próximos passos da CPI
A próxima sessão da comissão está prevista para 24 de fevereiro. Na pauta, além das convocações, constam:
- quebra de sigilo da gestora de investimentos Reag, ex-ligada ao Banco Master e também liquidada pelo Banco Central;
- quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático do fundador da gestora, João Carlos Mansur, e sua convocação para depor;
- pedido ao Banco Central para encaminhar o processo administrativo completo que resultou na liquidação extrajudicial do Master.
“Ninguém será blindado, não importa o cargo ou a hierarquia”, declarou Contarato.
Notas de Toffoli
Em menos de 24 horas, o ministro divulgou duas notas públicas. Na primeira, refutou vínculos de amizade ou financeiros com Vorcaro. Na segunda, admitiu ter sido sócio, ao lado dos irmãos, da Maridt Participações, empresa que deteve cotas do resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Parte das cotas foi vendida a um fundo de investimentos controlado por Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, preso na segunda fase da operação Compliance Zero.
Toffoli afirmou que a participação na Maridt era permitida pela Lei Orgânica da Magistratura, pois não exercia atos de gestão, e acrescentou ter saído da sociedade antes de ser sorteado, em novembro de 2025, para relatar o processo do Banco Master no STF. O ministro garante nunca ter recebido valores de Vorcaro ou de Zettel.
Funcionários do resort já haviam apontado o magistrado como proprietário do empreendimento, enquanto familiares deram declarações divergentes. A esposa de Toffoli, Cássia Pires Toffoli, disse desconhecer qualquer ligação do marido com o negócio; o irmão José Eugênio confirmou a sociedade, mas sem mencionar o ministro; e José Carlos preferiu não comentar.
A CPI pretende esclarecer se houve ligação financeira entre o ministro, seus familiares e o grupo ligado ao Banco Master, cuja liquidação foi alvo de questionamentos no Supremo.
Com informações de Gazeta do Povo