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Moscou desestimula turismo a Cuba e prepara remessa de petróleo para driblar embargo dos EUA

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Moscou, 12 de fevereiro de 2026 – O governo russo recomendou nesta quinta-feira que seus cidadãos adiem viagens a Cuba e, paralelamente, informou que enviará em breve um carregamento de petróleo e derivados à ilha, numa tentativa de aliviar a crise energética agravada pelas sanções dos Estados Unidos.

Em entrevista coletiva, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, pediu que “todos que planejam viajar levem em consideração a situação atual” e se abstenham do turismo até que o cenário se estabilize. A chancelaria também orientou operadoras e agências a suspenderem a venda de pacotes e passagens para o destino caribenho.

A agência de aviação civil Rosaviatsia acrescentou que as companhias aéreas russas interromperão temporariamente os voos para Havana depois de concluir a retirada dos turistas que ainda estão na ilha.

Suprimento humanitário

Fontes da embaixada russa em Havana disseram ao jornal Izvestia que a nova carga de petróleo será enviada como ajuda humanitária. A última remessa, de 100 mil toneladas de petróleo bruto, chegou em fevereiro de 2025 por ordem do presidente Vladimir Putin.

A Rússia figura como o segundo maior mercado emissor de turistas para Cuba, atrás apenas do Canadá, com 131 mil visitantes em 2025. Para o Kremlin, no entanto, o momento exige cautela. “Estamos avaliando caminhos para resolver ou, ao menos, atenuar esses problemas”, declarou o porta-voz Dmitry Peskov. Ele acusou “forças externas” de buscarem o agravamento da crise energética cubana para gerar insatisfação popular e dificultar a permanência de estrangeiros.

Tensões com Washington

Peskov afirmou não desejar uma escalada com os Estados Unidos, mas minimizou a relevância atual do intercâmbio comercial entre Moscou e Washington ao comentar as ameaças de tarifas americanas contra países que abastecem Cuba com petróleo. No fim de janeiro, o presidente Donald Trump anunciou que aplicaria sobretaxas a tais nações.

Apesar da pressão de Washington, o México, por exemplo, já confirmou que manterá o envio de ajuda humanitária. A presidente Claudia Sheinbaum classificou as tarifas como “muito injustas” e ressaltou que a medida impacta diretamente a população cubana.

A escassez de combustível se intensificou na ilha. No último domingo, o governo de Havana avisou às companhias aéreas que, a partir de segunda-feira, não haveria mais querosene de aviação disponível.

Sem previsão de normalização imediata, o apoio russo deve chegar nas próximas semanas, enquanto o fluxo turístico entre os dois países permanece suspenso.

Com informações de Gazeta do Povo