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Toffoli admite sociedade em resort no Paraná, mas refuta pagamentos de dono do Banco Master

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Brasília — O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), confirmou nesta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, que o magistrado integrou o quadro societário da Maridt Participações, empresa que possuía cotas no resort de luxo Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). Na mesma nota, o ministro negou ter recebido qualquer quantia do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do liquidado Banco Master, e afirmou não manter relações de amizade com o empresário.

Participação familiar na Maridt

Segundo o comunicado, a Maridt é uma sociedade anônima de capital fechado administrada por familiares de Toffoli. A Lei Orgânica da Magistratura permite a participação de juízes em empresas desde que não exerçam atos de gestão, condição que, de acordo com o ministro, foi observada.

A nota detalha que a Maridt integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A saída ocorreu em dois momentos:

  • 27 de setembro de 2021 — venda de parte das cotas ao Fundo Arllen, controlado por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro;
  • 21 de fevereiro de 2025 — alienação do restante à PHD Holding, de Paulo Humberto Costa, advogado ligado à JBS. A operação foi estimada em R$ 3,5 milhões.

O ministro afirma que todas as transações foram declaradas à Receita Federal e realizadas “dentro de valor de mercado”.

Relatório da PF e sorteio de ação no STF

A ligação entre Toffoli e Vorcaro veio à tona após a Polícia Federal decifrar mensagens encontradas em celulares do banqueiro. O material, de quase 200 páginas, foi entregue pessoalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Toffoli ressalta ter deixado a sociedade antes de 28 de novembro de 2025, data em que foi sorteado relator da ação que discute a compra do Banco Master pelo BRB. “Quando o processo chegou ao gabinete, a Maridt já não integrava mais o grupo Tayayá”, diz o texto.

Negativa de pagamentos e amizade

O ministro declarou não conhecer o gestor do Fundo Arllen, tampouco manter laços pessoais com Daniel Vorcaro. “Jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”, afirma a nota, a segunda divulgada em menos de 24 horas após a revelação do dossiê da PF.

Na manifestação anterior, Toffoli classificou as suspeitas como “ilações” e sustentou que a Polícia Federal não tem competência para pedir sua suspeição no processo.

Com as explicações, o ministro procura responder aos questionamentos sobre possível conflito de interesses e sobre eventuais vantagens financeiras envolvendo o resort paranaense e o banqueiro investigado.

Com informações de Gazeta do Povo