Rússia, China e Brasil – As vendas russas de energia para seus dois principais destinos na Ásia e na América do Sul voltaram a crescer com força em janeiro, apontam levantamentos de diferentes plataformas de dados do setor.
China eleva compras marítimas para 1,5 milhão de barris por dia
Dados da LSEG compilados pela agência Reuters mostram que a China importou no mês passado pouco mais de 1,5 milhão de barris diários de petróleo russo por via marítima, acima dos 1,1 milhão de barris por dia registrados em dezembro.
Segundo a consultoria Kpler, o avanço foi impulsionado pelo recorde de 405 mil barris/dia de petróleo Urals, principal mistura de exportação da Rússia, maior patamar desde 2023.
Em 4 de fevereiro, os presidentes Vladimir Putin e Xi Jinping discutiram a parceria energética em videoconferência. Desde o início da invasão à Ucrânia, os chineses já desembolsaram mais de US$ 230 bilhões em petróleo e gás russos.
Brasil retoma importações de diesel russo
Após queda no segundo semestre de 2025, motivada por ataques ucranianos a refinarias russas, o Brasil voltou a ampliar a compra de diesel da Rússia. Levantamento da Vortexa divulgado pela Bloomberg Línea indica média de 151 mil barris diários em janeiro, o maior volume desde junho de 2025 e muito acima dos 58 mil barris/dia de dezembro.
Segundo a especialista em finanças e tributação Adriana Melo, o principal motivo da preferência brasileira é o preço competitivo: “Ideologia não move caminhão, mas diesel move”, resumiu.
Perda de espaço em outros mercados
Enquanto China e Brasil reforçam as compras, a Rússia perde terreno em países pressionados pelos Estados Unidos. A Índia, alvo de tarifa adicional de 25% imposta por Donald Trump em 2025, reduziu as importações de petróleo Urals para menos de 1 milhão de barris/dia em dezembro, ante média anual de 1,3 milhão. Já a Turquia baixou as aquisições para cerca de 250 mil barris/dia em janeiro, abaixo do pico de 400 mil barris/dia de junho passado.
Na semana passada, Trump anunciou acordo com Nova Délhi: a Índia se comprometeu a encerrar a compra de petróleo russo e, em troca, as tarifas americanas sobre exportações indianas cairão de 50% para 18%.
Risco de novas sanções
Adriana Melo alerta que Washington ameaça aplicar tarifas secundárias de até 100% a países que mantiverem grandes volumes de energia russa. “Para a China, a exposição é maior; no caso brasileiro, o risco existe, mas tende a ser usado mais como instrumento de pressão do que como punição imediata”, avaliou.
A elevação das exportações para Pequim e Brasília ajuda Moscou a compensar a perda de mercados nos quais a influência norte-americana cresceu.
Com informações de Gazeta do Povo