Washington (11.fev.2026) – O governo dos Estados Unidos passou a tratar o Brasil como parceiro estratégico na criação de cadeias de suprimento consideradas críticas, sobretudo de terras raras. O reconhecimento foi anunciado nesta quarta-feira (11) pelo secretário adjunto para Assuntos Econômicos, Energia e Negócios do Departamento de Estado, Caleb Orr, durante coletiva de imprensa on-line.
Orr destacou que Washington “tem interesse em financiar projetos em todo o Brasil” e citou dois empreendimentos em Goiás voltados a elementos de terras raras pesadas. “Acredito que o potencial para iniciativas entre Estados Unidos e Brasil é muito alto”, afirmou.
Investimentos já anunciados
Na semana passada, a mineradora Serra Verde, instalada em Minaçu (GO), divulgou acordo com a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC, na sigla em inglês) para um aporte de US$ 565 milhões. O entendimento inclui a possibilidade de participação acionária minoritária americana na companhia.
Outro projeto citado por Orr é o Carina, conduzido pela Aclara Resources em Nova Roma (GO). A iniciativa, também focada em terras raras pesadas, recebeu no ano passado aprovação da DFC para um financiamento de até US$ 5 milhões, destinados a estudos de viabilidade técnica.
Projeto Vault e disputa com a China
A participação brasileira foi elogiada pelo subsecretário na reunião ministerial sobre minerais críticos realizada na capital americana na semana passada. O encontro, liderado pelo secretário de Estado Marco Rubio, marcou o lançamento do Projeto Vault, plano estratégico do presidente Donald Trump para formar um estoque nacional de terras raras e reduzir a dependência dos EUA da China. Segundo a imprensa local, a iniciativa pode mobilizar até US$ 12 bilhões em investimentos.
Além do Brasil, cerca de 50 países enviaram representantes. A Argentina assinou um acordo de cooperação com Washington, enquanto Japão, União Europeia e México também participaram das discussões.
Reservas e próximos passos
Detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, atrás apenas da China, o Brasil informou que ainda avalia uma adesão formal ao projeto americano. O tema deve ser discutido no encontro previsto entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Washington.
Com informações de Gazeta do Povo