Brasília — O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, a manutenção da meta de inflação em 3% ao ano, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. O posicionamento contraria resolução recente do Partido dos Trabalhadores (PT), que sugere rever o modelo para conciliá-lo com metas de crescimento econômico e geração de empregos.
Em participação em evento promovido pelo BTG Pactual, o chefe da autoridade monetária argumentou que o patamar atual “está em linha” com o adotado por nações desenvolvidas e emergentes. “Comparamos metas de vários países para verificar se a nossa estava fora dos padrões. Ela se mantém muito próxima da média internacional”, afirmou.
Galípolo citou ainda declaração feita na véspera pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que também apoiou a manutenção do alvo de 3%. Ambos integram o Conselho Monetário Nacional (CMN) ao lado da ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet — colegiado responsável por fixar a meta anual de inflação. A estrutura de meta contínua aprovada em 2024 entra em vigor a partir de 2025.
Durante sua exposição, o presidente do BC ressaltou que a discussão central não se limita ao percentual definido, mas às razões que levam o país a operar com juros elevados para tentar atingir o objetivo. A taxa Selic está em 15% ao ano, nível criticado por setores do PT. “A pergunta é: por que, mesmo com juros altos, temos dificuldade de convergir a inflação para a meta e por que a economia mostra tanta resiliência a essa taxa?”, questionou.
No documento que marcou os 46 anos de fundação do partido, o PT defendeu reavaliar o regime de metas para adequá-lo ao crescimento, ao emprego de qualidade, ao investimento público e à ampliação de políticas sociais. Haddad reconheceu a existência de divergências internas, classificou o debate como legítimo e ressaltou que quem está no governo precisa ponderar “variáveis econômicas de forma integrada” para evitar distorções.
Com a defesa enfática do alvo de 3%, Galípolo se distancia da nova orientação partidária, mas mantém alinhamento com o Ministério da Fazenda no desenho atual da política monetária.
Com informações de Gazeta do Povo