A União Elétrica de Cuba (UNE) prevê para esta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, o maior déficit de energia dos últimos anos: até 64% da ilha poderá ficar simultaneamente sem fornecimento no horário de maior consumo.
Segundo dados divulgados pela estatal, a demanda máxima no fim da tarde e início da noite deve alcançar 3.100 megawatts (MW), enquanto a capacidade de geração estimada é de apenas 1.134 MW. O percentual supera o recorde anterior de 63%, registrado em 31 de janeiro.
O país enfrenta uma crise energética desde meados de 2024, quadro agravado pelo que o governo cubano chama de “cerco petrolífero” dos Estados Unidos após a intervenção norte-americana na Venezuela e a ordem presidencial emitida em 29 de janeiro.
Atualmente, seis das 16 unidades termelétricas estão fora de operação por avarias ou manutenção, entre elas duas das três maiores. A geração térmica responde, em média, por 40% da matriz cubana. Outro 40% vinha da chamada geração distribuída, que está paralisada há quatro semanas; o presidente Miguel Díaz-Canel atribui o problema às sanções de Washington.
Para enfrentar a escassez de combustíveis — Cuba produz apenas um terço do que consome —, o governo anunciou na semana passada um pacote de emergência. Entre as medidas estão a suspensão da venda varejista de diesel, forte racionamento de gasolina, falta de querosene nos aeroportos, redução do expediente em repartições públicas, incentivo ao trabalho remoto e manutenção apenas de serviços considerados essenciais.
Estudos independentes estimam que seriam necessários entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para modernizar o sistema elétrico do país. Os cortes de energia diários também afetam a economia, que encolheu mais de 15% desde 2020, e têm sido estopim de protestos recorrentes.
Com informações de Gazeta do Povo