Brasília – Três deputados de oposição afirmaram nesta terça-feira (10) que estão sendo transformados em “bois de piranha” pela direção da Câmara dos Deputados durante a análise de representações no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.
Os parlamentares investigados são Zé Trovão (PL-SC), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Marcos Pollon (PL-MS). Eles respondem por participação na ocupação da Mesa Diretora, ocorrida em 2025, logo após a decretação de prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro. As sanções em debate podem chegar à suspensão do mandato por até 90 dias.
Acusações de seletividade
Zé Trovão declarou, antes da reunião do colegiado, que outros deputados também estiveram na manifestação, mas apenas o trio foi alvo de processo disciplinar. “Querem usar três pessoas como boi de piranha. Alguém querendo mostrar que tem força, que é rei”, disse, citando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e “outras lideranças partidárias” como responsáveis pela iniciativa.
O deputado relatou ainda que, durante a ocupação, houve um acordo verbal para desobstruir a mesa, posteriormente negado por Motta. “Fingiram fazer um acordo para nos fazer liberar a mesa e depois não o cumpriram”, afirmou.
Origem da metáfora
Marcos Pollon explicou o sentido da expressão usada pelo grupo. Segundo ele, no Pantanal, um boi ferido era deixado no rio para distrair piranhas enquanto o restante do gado cruzava a correnteza. “É uma história que meu avô tropeiro sempre contava”, declarou.
Próximos passos
O Conselho de Ética realiza oitivas até esta quarta-feira (11) para apurar os fatos. Depois dessa fase, o relator deverá apresentar parecer recomendando arquivamento ou aplicação de penalidade.
Com informações de Gazeta do Povo