Lisboa – Mesmo após perder o segundo turno da eleição presidencial portuguesa para o socialista António José Seguro por mais de 30 pontos percentuais, no domingo (8), André Ventura manteve o discurso otimista em relação ao crescimento do Chega. O líder do partido nacionalista apontou resultados eleitorais inéditos e o enfraquecimento do “cordão sanitário” imposto por outras legendas como sinais de que a sigla pode chegar ao poder.
Resultado histórico
Ventura destacou que a sigla atingiu 33% dos votos — maior percentual já obtido pelo Chega em uma disputa nacional. O índice supera os 32% alcançados pela coligação conservadora liderada pelo primeiro-ministro Luís Montenegro na eleição legislativa de 2025. O candidato ainda acrescentou quase 300 mil votos em comparação com o pleito presidencial de 2025.
No primeiro turno da atual corrida presidencial, em 18 de janeiro, Ventura obteve 23% dos votos. O salto contrasta com o desempenho de 2021, quando o líder do Chega ficou com 12%.
Crescimento no Parlamento
Nas legislativas de 2025, o Chega conquistou 60 assentos na Assembleia da República — dez a mais que na eleição anterior e dois a mais que o Partido Socialista (PS) de Seguro. Caso mantenha o ritmo, a sigla pode disputar o comando do governo em 2029, avalia seu presidente.
Barreira das alianças
O principal obstáculo é o chamado “cordão sanitário”, estratégia de exclusão adotada por legendas tradicionais para impedir acordos com a direita nacionalista. Em 2025, Montenegro preferiu chefiar uma administração de minoria a formar governo com o Chega. Na eleição presidencial, o candidato de Montenegro, Luís Marques Mendes, terminou em quinto lugar no primeiro turno e passou a apoiar Seguro, alegando defesa da moderação e da democracia.
Apesar disso, Venturas aponta sinais de flexibilização. Em novembro de 2025, após as eleições autárquicas, o Partido Social Democrata (PSD) firmou acordos com o Chega em Sintra e Tomar para garantir governabilidade local.
Discurso de confiança
“Não vencemos e isso significa que precisamos trabalhar mais para convencer todos de que a mudança faz falta”, afirmou Ventura, em Lisboa. “Mas lideramos a direita em Portugal e vamos em breve governar este país.”
O político também atribuiu o resultado à resistência de vários atores: “Com Bruxelas contra nós, com o mundo contra nós, ainda assim tivemos nosso melhor resultado de sempre. Não vencemos, mas estamos no caminho dessa vitória”, concluiu.
Com informações de Gazeta do Povo