Com mais de 16 milhões de eleitores e histórico de definir eleições presidenciais desde 1950, Minas Gerais virou ponto de tensão para as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), líderes nas pesquisas para 2026. Ambos buscam construir palanques competitivos no Estado, mas esbarram em resistências locais e falta de nomes consensuais.
PT mira Rodrigo Pacheco, mas cogita alternativas
O presidente Lula voltou a defender a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao governo mineiro, hipótese que esfriou após o parlamentar ser preterido na vaga aberta no Supremo Tribunal Federal. Nos bastidores, assessores do Planalto avaliam até uma possível filiação de Pacheco ao União Brasil para viabilizar o projeto.
Enquanto a decisão não vem, o PT testa outros nomes: Sandra Goulart (reitora da UFMG), Márcio Lacerda (ex-prefeito de Belo Horizonte), Alexandre Kalil (PDT) e Tadeu Leite (MDB). Também está na mesa uma chapa ao Senado que reúna Kalil e a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT).
O presidente nacional da legenda, Edinho Silva, esteve em Belo Horizonte para sondar Kalil, derrotado por Romeu Zema (Novo) em 2022. Parte do partido defende apoio imediato ao ex-prefeito caso Pacheco não entre na disputa. A articulação, porém, sofreu revés quando o presidente do PDT, Carlos Lupi, mencionou um acordo com o PT, prontamente negado por Edinho.
Pacheco, por sua vez, cogita deixar o PSD após a filiação do vice-governador Mateus Simões à sigla – movimento visto como aproximação do partido com Zema. Simões é apontado como provável candidato ao Palácio Tiradentes.
Direita sem cabeça de chapa definida
No campo bolsonarista, a principal baixa foi a recusa do deputado Nikolas Ferreira (PL) em concorrer ao governo estadual. Influente nas redes sociais, com mais de 21 milhões de seguidores no Instagram, o parlamentar prefere disputar a reeleição à Câmara e manter atuação nacional. A decisão acendeu alerta no PL, que teme repetir 2022, quando Zema aderiu a Jair Bolsonaro apenas no segundo turno.
Outra frustração veio do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder nas pesquisas para governador. Após divergências com Eduardo Bolsonaro e diante do tratamento de leucemia do irmão, o político suspendeu negociações.
Sem nome consolidado, dirigentes do PL pressionam Mateus Simões a apoiar Flávio Bolsonaro, mas o vice-governador é comprometido com eventual candidatura presidencial do PSD. A falta de unidade preocupa aliados, principalmente após Nikolas afirmar que só participará de um projeto nacional se houver estratégia clara.
Nikolas vira trunfo, mesmo fora da disputa
Apesar de descartar a corrida ao Palácio Tiradentes, Nikolas é considerado peça-chave para mobilizar o eleitorado conservador. A recente “Caminhada da Liberdade”, convocada pelo deputado contra o veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, reuniu milhares de pessoas e reforçou seu peso político.
Para o deputado estadual Bruno Engler (PL), Nikolas será decisivo na campanha presidencial: “Em Minas, é um dos pesos-pesados. Se fosse candidato ao governo, ganharia, mas não é o desejo dele agora”.
Sem definição de candidaturas robustas tanto na esquerda quanto na direita, Minas Gerais permanece como o maior desafio estratégico para Lula e Flávio Bolsonaro a oito meses do início oficial da campanha.
Com informações de Gazeta do Povo