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Abin investiga servidor licenciado que mantém canal no YouTube com mais de 3 milhões de inscritos

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Brasília – A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) abriu processo administrativo disciplinar contra o oficial técnico de inteligência Glauber Mendonça, afastado do cargo por licença médica e responsável pelo canal “Fala, Glauber”, que ultrapassou 3 milhões de inscritos no YouTube.

Mesmo fora de suas atividades na agência, Mendonça continuou recebendo salário integral enquanto produzia vídeos regularmente, com estrutura profissional, segundo informou o portal g1. A combinação de afastamento remunerado e atuação intensa nas redes levou a Corregedoria da Abin a apurar possível infração funcional.

Notificação e prazo de defesa

O servidor foi notificado na semana anterior à divulgação do caso, iniciando o prazo legal para apresentação de defesa. A corregedoria verifica se o conteúdo publicado é compatível com as atribuições do cargo e com as restrições de servidores públicos.

Conteúdo vai além de orientação para concursos

Nos vídeos, Mendonça se apresenta como policial penal federal e diz que o canal busca orientar candidatos a concursos da área de segurança. Entretanto, boa parte das publicações traz críticas a autoridades, análises de políticas públicas e comentários sobre o funcionamento de instituições brasileiras. Em um dos materiais citados pela Abin, o youtuber afirma que o objetivo do canal “é bater em político, deixar político constrangido e mostrar a realidade da política e da segurança pública”.

Decisões judiciais e estrutura profissional

Parte do conteúdo divulgado em 2024 foi alvo de decisão judicial que determinou a retirada de alguns vídeos por considerar que havia disseminação de discurso de ódio e abuso do direito à liberdade de expressão. Esses episódios foram anexados ao processo administrativo.

Publicações do próprio Mendonça indicam jornadas de gravação de até 16 horas diárias e a participação de equipe na edição e divulgação dos vídeos. A Abin avalia se tal grau de profissionalização configura atividade incompatível com o cargo público, mesmo durante o afastamento médico.

Possíveis sanções

As penalidades administrativas variam de advertência a demissão, dependendo da conclusão da comissão disciplinar. Conforme a Lei nº 11.776, o cargo de oficial técnico de inteligência não exige dedicação exclusiva, mas a agência analisa se houve falta de zelo ou incompatibilidade com o serviço público.

Procurada, a Abin reiterou que não comenta processos correicionais em andamento, ressaltando que os procedimentos tramitam sob sigilo conforme a legislação e as orientações da Controladoria-Geral da União (CGU).

Com informações de direitaonline.com.br