O presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, declarou nesta sexta-feira (6) que a paralisação prolongada da usina nuclear Angra 3 pode empurrar a estatal para uma crise semelhante à enfrentada pelos Correios, colocando em risco a continuidade das operações de Angra 1 e Angra 2.
Segundo Caporal, a construção incompleta de Angra 3 consome R$ 1 bilhão por ano arrecadado pelas demais usinas. Desse montante, 80% destinam-se ao pagamento de dívidas bancárias e 20% à manutenção de equipamentos já comprados. “Não temos fonte de recursos para arcar com esse custo, e isso pode gerar a descontinuidade operacional de Angra 1 e Angra 2”, afirmou em entrevista à Folha de S.Paulo.
A Eletronuclear tenta suspender parcelas de empréstimos contraídos com a Caixa e o BNDES, mas enfrenta resistência das instituições, que cobram uma definição sobre o futuro de Angra 3. Caporal estima que a empresa pode se tornar inadimplente em até três meses, o que permitiria cobranças antecipadas e agravaria a situação financeira.
Apesar das dificuldades, o executivo defende a conclusão da usina. Ele lembra que o projeto já registra 67% de avanço físico e conta com mais de 14 mil equipamentos entregues. “Se é para gastar R$ 1 bilhão, que seja para continuar a obra; não podemos sustentar esse custo com o projeto parado”, disse.
Caporal ressaltou que, embora a estatal ainda não dependa do Tesouro Nacional, pode seguir o caminho dos Correios, cujo prejuízo somou R$ 6 bilhões entre janeiro e setembro do ano passado. Em dezembro, ele revelou que a Eletronuclear detém R$ 7 bilhões em empréstimos com bancos públicos e defendeu a concessão de um waiver temporário para evitar o colapso financeiro.
Com informações de Gazeta do Povo