A Rússia voltou a assegurar apoio à candidatura brasileira a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, caso o órgão passe por reforma. A declaração foi feita nesta quinta-feira (5), em Brasília, durante a 8ª Reunião da Comissão Brasileiro-Russa de Alto Nível de Cooperação (CAN), realizada no Palácio do Itamaraty.
O encontro reuniu o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin; o chanceler Mauro Vieira; e o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, acompanhado de ministros e autoridades de Moscou. A promessa russa, registrada em declaração conjunta, repete compromissos assumidos em 2022 e 2024, ainda sem medidas concretas para viabilizá-los.
Reforma e multilateralismo
No documento, Brasil e Rússia defenderam o multilateralismo e o papel central da ONU na governança global, além de sublinhar a necessidade de reformar o Conselho de Segurança para torná-lo mais representativo. Segundo o texto, países em desenvolvimento da América Latina, Ásia e África precisam ter espaço permanente — contexto em que Moscou descreve o Brasil como “forte e natural candidato”.
Embora não mencionados diretamente, os Estados Unidos foram alvo implícito da mensagem, já que o presidente Donald Trump crítica a ONU e apoia fóruns alternativos. Ao enfatizar a Carta das Nações Unidas, Brasília e Moscou sinalizaram oposição a iniciativas que, na visão dos dois governos, fragilizam o sistema multilateral.
Agenda econômica e retomada da comissão
A reunião marcou a retomada formal da CAN, suspensa desde 2015 e adiada após a invasão russa à Ucrânia em 2022. No campo econômico, Mishustin classificou o Brasil como “principal parceiro” da Rússia na América Latina e destacou que as exportações brasileiras de carne e café sustentam o comércio bilateral, enquanto fertilizantes russos respondem por cerca de 25% das compras brasileiras desse insumo.
Alckmin defendeu maior participação de empresas russas em setores como química, energia e infraestrutura no Brasil, além de estimular a entrada de companhias brasileiras no mercado russo, especialmente em alimentos processados, dispositivos médicos e tecnologia agrícola.
Temas sensíveis ficam de fora
A guerra na Ucrânia não foi tratada oficialmente durante a sessão. Ainda assim, a declaração conjunta reiterou o compromisso com soluções pacíficas de controvérsias e a não intervenção. O texto também citou a preservação da América Latina e do Caribe como zona de paz e a estabilidade no Ártico.
A reunião encerrou-se com a assinatura do documento e o compromisso de avançar em novos projetos bilaterais, sem anúncio de prazos para iniciativas que viabilizem a reforma do Conselho de Segurança.
Com informações de Gazeta do Povo