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Vorcaro aponta complô entre Banco Central e grandes bancos para liquidar o Master

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Brasília – Em depoimento prestado à Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025, o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que a liquidação da instituição foi resultado de uma ação coordenada por uma ala do Banco Central (BC) e por bancos tradicionais interessados em afastá-lo do mercado.

Sigilo levantado pelo STF

O conteúdo do depoimento tornou-se público após decisão do ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, que retirou o sigilo na semana passada. Vorcaro, em prisão domiciliar desde novembro, sustenta que o Master não enfrentava risco técnico de quebra e que seu encerramento ocorreu por pressões externas.

Acusações contra mudanças no FGC

Segundo o empresário, o Departamento de Organização do Sistema Financeiro do BC modificou duas vezes as regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) entre 2024 e 2025, reduzindo drasticamente a capacidade de captação do banco. Ele afirma que as restrições à emissão de títulos lastreados no FGC e o bloqueio de acesso a plataformas de investimento desencadearam crise de liquidez, não de solvência.

Venda de ativos com deságio

Vorcaro relatou que, durante processo de recuperação imposto pelo BC entre 2024 e meados de 2025, foi obrigado a vender carteiras de crédito e participações “abaixo do preço de mercado”, beneficiando instituições concorrentes. Ele citou o Banco Regional de Brasília (BRB) como principal comprador de ativos auditados com desconto.

Visão de analistas e do BC

Especialistas ouvidos pela investigação e pelo mercado consideram as declarações uma estratégia de defesa. Eles apontam fragilidades internas do Master, como forte dependência do FGC e oferta de produtos com rentabilidade muito acima da média. O Banco Central reforça que todas as instituições são responsáveis pela qualidade dos créditos adquiridos e que mudanças no FGC buscaram reduzir riscos sistêmicos.

Reação dos concorrentes

Consultores descartam a tese de que bancos saudáveis se beneficiem de liquidações, pois quebras aumentam custos regulatórios e podem abalar a confiança do setor. O interesse, dizem, reside na compra seletiva de ativos de qualidade, não na falência de rivais.

Nova investigação no BRB

Nesta semana, a Polícia Federal abriu inquérito para apurar supostas irregularidades no BRB relacionadas às operações com o Master. O banco brasiliense declarou possuir capital adequado, colabora com as autoridades e contratou auditoria externa para revisar transações específicas.

Próximos passos

Vorcaro deveria prestar novo depoimento no fim de janeiro, mas a oitiva foi adiada sem data definida. Enquanto isso, o Supremo avalia desmembrar o inquérito para reduzir a pressão sobre a Corte, e o Conselho Monetário Nacional segue discutindo medidas para reforçar a solidez do sistema financeiro.

Com informações de Gazeta do Povo