O Ministério das Relações Exteriores da Argentina confirmou nesta quarta-feira (4) a assinatura de um Instrumento Marco para o Fortalecimento do Suprimento em Mineração e Processamento de Minerais Críticos com os Estados Unidos. O entendimento foi formalizado em Washington durante reunião ministerial convocada pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Segundo a chancelaria argentina, o documento reforça a parceria estratégica entre Buenos Aires e Washington ao estabelecer objetivos para garantir um suprimento “seguro, resiliente e competitivo” de insumos como lítio e terras raras. A iniciativa também busca atrair investimentos de longo prazo e diversificar cadeias globais de valor.
Participação brasileira
O Brasil enviou representantes da Embaixada em Washington ao encontro, mas ainda não decidiu se aderirá ao grupo. Fontes do Palácio do Planalto ouvidas pela Reuters afirmaram que o governo avalia os termos da proposta antes de tomar posição. O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, declarou que Washington pretende reunir aliados em um bloco comercial dedicado a minerais críticos.
Detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras — atrás apenas da China —, o Brasil é visto pela administração do presidente Donald Trump como parceiro estratégico. Interlocutores em Brasília indicaram que uma eventual viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Washington está em estudo, e o tema poderá integrar a pauta caso avance o interesse norte-americano.
Expectativas argentinas
Em publicação na rede social X, o ministro argentino Pablo Quirno afirmou que o acordo trará “mais exportações, mais investimentos e mais empregos” ao país. Ele agradeceu o subsecretário de Estado Christopher Landau pelo “trabalho conjunto” na construção do entendimento.
O governo do presidente Javier Milei projeta elevar as exportações de mineração para mais de US$ 30 bilhões até o fim da próxima década. Em agosto do ano passado, Buenos Aires e Washington já haviam assinado um memorando de entendimento sobre cooperação em minerais críticos, área em que a Argentina ocupa o quarto lugar global na produção de lítio, o terceiro em reservas e o segundo em recursos.
Com informações de Gazeta do Povo