A crise entre Estados Unidos e Irã voltou a ganhar fôlego em 2026, mas análises militares indicam que Teerã permanece capaz de impor perdas relevantes a qualquer ofensiva norte-americana, mesmo após sofrer abalos políticos e econômicos nos últimos anos.
Estrutura militar resiliente
O levantamento anual do Global Firepower coloca o Irã na 16ª posição entre 145 exércitos avaliados, apenas um posto atrás de Israel. Segundo o portal War Power, as Forças Armadas iranianas contam com cerca de 600 mil militares na ativa, 350 mil reservistas e 250 mil integrantes de grupos paramilitares — dos quais 190 mil pertencem à Guarda Revolucionária.
O inventário divulgado inclui aproximadamente 2 mil tanques, 550 aeronaves e mais de 100 embarcações de guerra. Na semana passada, o Exército recebeu reforço de mais de mil drones, elevando o total de veículos aéreos não tripulados estimado em 3.894 unidades.
Rede de milícias e comando rígido
Além do efetivo regular, Teerã se apoia em milícias regionais alinhadas à Guarda Revolucionária, que já ameaçaram atacar bases dos Estados Unidos no Oriente Médio caso o país seja bombardeado. A estrutura de poder é liderada pelo aiatolá Ali Khamenei, sustentada por conselhos e cargos não eleitos com forte influência sobre sucessões internas.
Movimentação naval americana
Em janeiro, o presidente norte-americano Donald Trump enviou uma frota ao Golfo Pérsico — o porta-aviões USS Abraham Lincoln e três destróieres de mísseis guiados, acompanhados por milhares de soldados — e advertiu que atacaria o Irã se não houver acordo que inviabilize a construção de arma nuclear.
Tentativa de distensão
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou nesta terça-feira (3) ter autorizado seu chanceler a buscar “negociações justas e equitativas” com Washington quando houver “ambiente adequado”. De acordo com o The New York Times, o enviado especial da Casa Branca, Steve Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, devem se reunir na próxima sexta-feira (6) em Istambul para discutir um possível acordo nuclear.
Mudança de doutrina
Mesmo sinalizando diálogo, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, general Abdolrahim Mousavi, anunciou na segunda-feira uma transição para “doutrina ofensiva baseada em operações relâmpago e de amplo alcance”, em resposta “às ações americano-sionistas”.
Especialistas ouvidos por diferentes órgãos apontam que, ainda que o regime dos aiatolás atravesse sua fase mais delicada desde 1979, uma vitória rápida dos Estados Unidos está longe de ser garantida devido à capilaridade militar e ao aparato coercitivo construído por Teerã.
Com informações de Gazeta do Povo