O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) protocolou nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, no Senado, o requerimento para criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o chamado caso Master. Segundo o parlamentar, o documento alcançou o apoio mínimo previsto pelo Regimento Comum do Congresso Nacional, reunindo 280 assinaturas — 238 de deputados e 42 de senadores.
Jordy argumenta que, atingido o número de assinaturas, a leitura do pedido em sessão conjunta da Câmara e do Senado torna-se obrigatória, etapa que oficializa a instalação do colegiado. Na prática, contudo, a convocação da sessão depende do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não definiu data.
“A CPI é discricionária; a CPMI, não. Se tem o número, o requerimento deve ser lido”, declarou o deputado. Ele acrescentou que o grupo de investigação enfrentará “muita pressão” porque, segundo ele, há “gente poderosa” tentando impedir o avanço das apurações, numa suposta “operação abafa”.
Reportagem recente liga aliados de Alcolumbre à Amapá Previdência (Amprev), que teria aplicado R$ 400 milhões em títulos do Banco Master apesar de alertas contrários. A presença do irmão do presidente do Senado em órgão de fiscalização também é apontada como fator que reforçaria a resistência ao colegiado.
Jordy disse ver restrições até nos espaços de fala da Câmara: “Ontem não houve breves comunicados, nem hoje, para que não falássemos sobre isso”. Ele também rebateu a tese de que o calendário eleitoral inviabilizaria os trabalhos: “Não é juízo de conveniência; o requerimento precisa ser lido”.
Oposição fala em recorde de apoios
O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), classificou o número de assinaturas como “recorde histórico” e afirmou que, cumpridas as exigências regimentais, a CPMI não pode ser barrada politicamente. Ele acusou parlamentares governistas de tentar evitar qualquer investigação.
Já o líder do Novo, Marcel van Hattem (RS), relatou pressão para retirada de apoios, mas disse que, mesmo assim, o requerimento avançou. “Chegamos a um número recorde. Isso mostra a preocupação real com os fatos que precisam ser investigados”, afirmou.
Os oposicionistas defendem que a comissão foque exclusivamente no fato determinado descrito no pedido: a possível fraude relacionada ao Banco Master, independentemente de filiação partidária dos envolvidos.
A criação da CPMI agora depende da leitura do requerimento em sessão conjunta, ato que cabe ao presidente do Congresso.
Com informações de Gazeta do Povo