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Batidas russas se intensificam e igrejas ucranianas enfrentam multas, ameaças e prisões

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Kyiv, 2 fev. — Congregações cristãs nas regiões ocupadas de Luhansk e Donetsk voltaram a ser alvo de operações coordenadas por forças da Rússia. Em 25 de janeiro, policiais e militares armados interromperam cultos dominicais de duas igrejas batistas do Conselho de Igrejas nas localidades de Krasnodon (Sorokyne, em ucraniano) e Teple.

De acordo com líderes religiosos, agentes portavam armas automáticas e ordenaram que todos os homens presentes se levantassem para verificação de identidade. O pastor Vladimir Rytikov foi conduzido à delegacia e interrogado sobre a recusa da congregação em registrar-se segundo a legislação russa. “Eles disseram que, se não nos registrarmos, virão a todos os cultos e impedirão que aconteçam”, relatou.

A ação em Teple foi executada pela unidade policial de combate ao extremismo, evidenciando o engajamento de diferentes órgãos de segurança nas batidas contra grupos religiosos que funcionam sem aval do Estado ocupante.

Escalada de incursões

Entre julho e dezembro de 2025, pelo menos sete incursões semelhantes foram registradas nas áreas ocupadas de Donetsk e Luhansk. Cinco líderes religiosos receberam multas com base na chamada legislação antimissionária russa, que pune cultos e outras atividades de fé sem autorização oficial.

As autoridades de ocupação exigem que todas as comunidades se registrem sob a lei russa e que seus dirigentes possuam cidadania da Federação. Igrejas ligadas a estruturas ucranianas ou que se recusam ao registro são classificadas como ilegais.

Resistência histórica

O Conselho de Igrejas Batistas mantém, há décadas, o princípio de não se registrar em nenhum país. Tribunais russos, porém, vêm confirmando sucessivas multas a pastores nas zonas ocupadas, mesmo quando os cultos ocorrem em residências particulares.

Alerta internacional

As Nações Unidas condenaram reiteradamente as restrições impostas. Em relatório ao Conselho de Direitos Humanos, o secretário-geral António Guterres afirmou que ninguém deve ser processado ou detido por exercer sua fé, incluindo reuniões coletivas e proselitismo.

Campanha mais ampla

Organizações de direitos humanos denunciam que as batidas fazem parte de uma estratégia para sufocar a vida religiosa independente nos territórios sob ocupação. Relatórios mencionam fechamento de templos, substituição de líderes por figuras consideradas pró-Moscou e prisões acompanhadas de maus-tratos — como espancamentos e isolamento prolongado. O Centro de Análise de Políticas Europeias (CEPA) documentou casos de clérigos que desapareceram por semanas após interrogatórios.

“Nos territórios ocupados, as igrejas ainda detêm autoridade moral independente do Estado”, destacam Mitzi Perdue e Nicole Monette, pesquisadoras da entidade. Para elas, a pressão visa remover essa influência e impor lealdade política.

Clima de incerteza

No início de 2026, centenas de comunidades optaram pelo registro russo, enquanto outras continuam impedidas ou relutantes. Fiéis relatam que as celebrações ocorrem sob constante risco de inspeções, multas ou fechamento.

Questionadas por jornalistas, as autoridades russas não explicaram por que múltiplas agências de segurança participam das batidas nos locais de culto.

Com informações de Folha Gospel