São Paulo — O ex-deputado federal Jorge Tadeu Mudalen inicia ao meio-dia desta terça-feira (3) uma viagem de aproximadamente 1.000 quilômetros entre São Paulo e Brasília a bordo de um Fusca 1975. A jornada, que sai do Parque do Carmo, na zona leste da capital paulista, é um protesto contra a possibilidade de criação de vistorias veiculares periódicas para automóveis com mais de cinco anos de uso.
A medida criticada por Mudalen foi inserida como emenda no parecer da Comissão de Viação e Transportes ao Projeto de Lei nº 3.507/2025, em análise na Câmara dos Deputados. O texto prevê que o Contran (Conselho Nacional de Trânsito) defina, por regulamentação futura, a frequência das inspeções.
A chegada à capital federal é esperada para quarta-feira (4.fev). Na ocasião, o ex-parlamentar pretende protocolar ofícios na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, além de encaminhar pedidos formais ao Contran e à Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) para que a proposta seja revista.
Segundo Mudalen, a exigência de vistoria afetaria principalmente motoristas de baixa renda que dependem de veículos antigos. “Quem anda com carro antigo não está fazendo isso por luxo. É porque não tem alternativa. Criar mais uma obrigação, com risco de penalidade, é empurrar custo para quem já está no limite”, afirmou.
Dados do Relatório da Frota Circulante Brasileira 2023, elaborado pelo Sindipeças em parceria com a Abipeças, indicam que 34,4 milhões de veículos leves em circulação no país têm mais de cinco anos de fabricação — público que seria impactado pela mudança.
Durante o trajeto, o ex-deputado também divulga um abaixo-assinado a ser entregue às autoridades. Para ele, mesmo sem previsão explícita de valores, a cobrança é inevitável. “A lei pode não falar em preço, mas fala em multa. E toda vez que isso acontece, o roteiro é conhecido: o poder público credencia empresas privadas, cria exigências técnicas e, no fim, a conta vai para o bolso do trabalhador”, disse.
Com informações de Direita Online