Brasília – 03/02/2026. Em meio a uma das maiores quedas de prestígio de sua história recente, o Supremo Tribunal Federal (STF) reabriu o ano judiciário com uma ofensiva em busca de apoio político para estancar a perda de credibilidade provocada pelo inquérito que investiga o banco Master.
No plenário da Corte e, poucas horas depois, no Congresso Nacional, o presidente do STF, Edson Fachin, repetiu a palavra “diálogo” oito vezes ao pedir “estreitamento das relações republicanas” entre os Poderes. O ministro classificou o momento como “tempo de defender as instituições” e reafirmou a necessidade de um código de ética para ministros, bandeira que voltou a levantar diante dos colegas.
Movimentação simultânea nos três poderes
A tentativa de Fachin de selar alianças com o Legislativo contou com a presença dos presidentes Davi Alcolumbre (Senado) e Hugo Motta (Câmara) na cerimônia do STF. Em seguida, o magistrado retribuiu a visita na sessão que marcou o fim do recesso parlamentar.
Em paralelo, durante as férias forenses, ministros procuraram o Palácio do Planalto na tentativa de conter uma série de vazamentos atribuídos a setores da Polícia Federal (PF) e do Banco Central (BC), descontentes com a condução do inquérito pelo relator Dias Toffoli.
Acusações e vazamentos
Desde dezembro, o processo sobre supostas fraudes na venda de ativos do Master ao BSB tramita sob sigilo máximo, mas informações que comprometem integrantes da Corte chegaram à imprensa. Entre elas:
• Viagem de Toffoli ao Peru em jatinho privado com o advogado de um investigado;
• Questionamentos do ministro à atuação do BC na liquidação do banco e à investigação da PF;
• Contrato de R$ 129 milhões firmado pela esposa do ministro Alexandre de Moraes com o Master;
• Conversas de Moraes com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sobre o negócio envolvendo o BRB.
OAB e PGR se manifestam
Na sessão de abertura, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, criticou “vazamentos seletivos” e disse que defender o STF “é defender a Constituição”. Já o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que a Corte é alvo de “zanga impetuosa”, mas que a confiança na instituição deve prevalecer.
Código de ética ganha relatoria
Fachin nomeou a ministra Cármen Lúcia para relatar a proposta de código de ética. À noite, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ela divulgou dez recomendações para juízes eleitorais em 2026, incluindo:
• Publicidade de audiências;
• Comedimento em manifestações públicas;
• Proibição de participação em eventos com candidatos;
• Fim de presentes, favores e sinalizações político-partidárias;
• Divulgação ampla de atos judiciais e administrativos.
Apesar do apoio público de Fachin, uma ala política do Supremo resiste ao novo código. Ministros alegam que a legislação já disciplina a conduta da magistratura e temem efeitos eleitorais negativos, inclusive promessas de impeachment feitas por candidatos ao Senado.
Tensão com Legislativo e mercado financeiro
O atrito entre Supremo e Congresso é antigo, mas ganhou força desde 2023, após decisões que afetaram emendas parlamentares e aproximaram a Corte do Planalto. Agora, a crise atinge também o mercado financeiro, que receia interferência judicial na liquidação do Master e acompanha rumores de novos fatos comprometedores envolvendo magistrados.
Durante a sessão no Congresso, Alcolumbre avisou que lutará pelas “prerrogativas parlamentares”, sinalizando insatisfação com o STF. A expectativa é que o tribunal apresse medidas internas para tentar conter o desgaste enquanto o inquérito permanece sob sigilo.
Com informações de Gazeta do Povo