Brasília – A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar suspeita de gestão fraudulenta na negociação de carteiras de crédito sem lastro, vendidas pelo Banco Master ao Banco de Brasília (BRB) por R$ 12,2 bilhões. A investigação decorre de indícios levantados na Operação Compliance Zero, que no ano passado resultou na prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário da instituição privada liquidada.
A abertura do inquérito foi autorizada pelo ministro Dias Toffoli, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), após recebimento de documentos enviados pela atual diretoria do BRB. Segundo as informações já repassadas à PF, as operações teriam ocorrido com falhas graves nos processos de análise e governança interna do banco público do Distrito Federal.
Relatório entregue à PF e ao Banco Central
Em comunicado, o BRB informou ter identificado “achados relevantes” na primeira etapa de um relatório preliminar produzido por auditoria forense independente, conduzida pelo escritório Machado & Meyer com suporte da Kroll. O documento foi protocolado na Polícia Federal em 29 de janeiro de 2026 e remetido ao Banco Central em 2 de fevereiro.
O banco acrescentou que, “em respeito à transparência”, vem adotando medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais para resguardar seus interesses, recuperar créditos e buscar ressarcimento de eventuais prejuízos. Parte dessas ações tramita sob sigilo.
Impacto financeiro e possíveis aportes
Apesar do potencial rombo, o BRB sustenta que permanece financeiramente sólido e conta com apoio do acionista controlador, o governo do Distrito Federal, que sinalizou a possibilidade de aporte direto caso seja necessário cobrir perdas. O balanço anual, com divulgação prevista para março, deverá detalhar o impacto efetivo das carteiras consideradas fraudulentas.
Antecedentes da crise
Em 2025, o BRB tentou adquirir participação relevante no Banco Master, negociação que recebeu aval político do governo distrital, mas foi barrada pelo Banco Central. Paralelamente, a PF investiga se a compra das carteiras sem lastro foi aprovada devido a falhas internas. Em novembro, operação conjunta da PF e do Ministério Público afastou o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, posteriormente demitido.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, admitiu ter se reunido com Daniel Vorcaro em quatro ocasiões entre 2024 e 2025, mas nega ter tratado da aquisição do banco nessas conversas.
Com informações de Gazeta do Povo