O governo chinês criticou nesta segunda-feira (2) a decisão da Academia Nacional de Gravação dos Estados Unidos de conceder ao 14º Dalai Lama o prêmio de Melhor Audiolivro no Grammy.
Em coletiva de imprensa em Pequim, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, declarou que o líder espiritual tibetano “não é uma figura puramente religiosa, mas um exilado político envolvido há décadas em atividades separatistas contra a China sob o pretexto da religião”. Segundo Lin, a premiação “instrumentaliza” a cultura para “manobras políticas” contra o país.
O Dalai Lama, de 90 anos, recebeu o troféu pelo título “Meditações: As Reflexões de Sua Santidade o Dalai Lama”. Ele vive em Dharamshala, no norte da Índia, desde que deixou o Tibete em 1959. Entre outras distinções internacionais, já foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz em 1989.
Pequim reiterou que todas as questões ligadas ao Tibete, inclusive a sucessão do líder budista, são “assuntos internos políticos”. No ano passado, o governo chinês afirmou deter “autoridade final e indiscutível” sobre o processo de reencarnação do Dalai Lama.
A crítica chinesa ocorre em meio a pressões constantes de governos ocidentais e entidades de direitos humanos, que acusam o país de restringir liberdades religiosas e culturais na região tibetana.
Com informações de Gazeta do Povo