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Investigações sobre Banco Master revelam encontros e contratos que aproximam caso do Planalto

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A apuração sobre as irregularidades no Banco Master evoluiu de um episódio financeiro para um embaraço político que alcança o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proximidade do empresário Daniel Vorcaro – sócio do banco – com autoridades do Executivo, além de reuniões fora da agenda oficial, contratos públicos e a atuação de ex-integrantes de destaque dos governos petistas, ampliou a pressão por transparência e abriu espaço para pedidos de CPI no Congresso.

R$ 50 bilhões sob suspeita

O Master entrou na mira de órgãos de controle no segundo semestre de 2025, após o Banco Central detectar inconsistências contábeis na carteira de ativos. A investigação, batizada de Operação Compliance Zero, aponta um rombo de até R$ 50 bilhões, envolvendo créditos inexistentes vendidos ao Banco de Brasília (BRB) e uso irregular do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e hoje cumpre prisão domiciliar.

Encontro reservado com Lula

Reportagem da CNN Brasil revelou que, em dezembro de 2024, Lula recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto em reunião que não constou da agenda oficial. Participaram ainda os ex-ministros Guido Mantega e Augusto Lima (ex-sócio do Master), além de Gabriel Galípolo, então indicado para presidir o Banco Central. A ministra Gleisi Hoffmann confirmou o encontro, alegando ser “inerente ao cargo” receber presidentes de bancos.

Vorcaro visitou o Planalto outras três vezes, sem divulgação dos temas tratados. Em abril de 2024, Lula também discursou na inauguração da fábrica da Biomm em Nova Lima (MG), empresa de biotecnologia da qual Vorcaro é acionista. A Biomm mantém contratos de R$ 303,65 milhões para fornecimento de insulina ao SUS, firmados via pregão eletrônico.

Consultorias milionárias de Mantega

Denúncia do site Metrópoles aponta que Guido Mantega atuou como consultor do Master entre 2024 e 2025, com remuneração de cerca de R$ 1 milhão por mês, totalizando ao menos R$ 11 milhões. O ex-ministro – indicado pelo senador Jaques Wagner – teria auxiliado nas tratativas para vender o banco ao BRB. Mantega nega irregularidades e afirma ter prestado serviço técnico, dentro da legalidade.

Participação de Jaques Wagner

Wagner confirmou conhecer Vorcaro e contou ter sugerido o nome do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski para prestar consultoria ao grupo. O senador afirma não ter influência em decisões financeiras do banco e avalia que uma eventual delação de Vorcaro, ainda não confirmada, poderia esclarecer o caso.

Contratos vinculados a Lewandowski

A família de Ricardo Lewandowski também entrou no noticiário. Segundo a Gazeta do Povo, o advogado Enrique de Abreu Lewandowski, filho do ex-ministro, atuou no STJ em dezembro de 2025 em favor de uma empresa suspeita de fraudes em empréstimos consignados que teria repassado créditos ao Master. Outra reportagem do Metrópoles indica pagamentos de cerca de R$ 5 milhões ao escritório ligado à família entre 2023 e 2025. Ricardo Lewandowski, que deixou o Ministério da Justiça em 8 de janeiro de 2026, disse desconhecer o processo e afirmou ter suspendido sua inscrição na OAB enquanto exerceu o cargo.

Debate sobre conflito de interesses

As investigações correm sob sigilo no Supremo Tribunal Federal, relatadas pelo ministro Dias Toffoli. A tramitação motivou críticas após ser divulgado um contrato milionário da esposa do ministro Alexandre de Moraes para defender o Master. Juristas ouvidos pela reportagem avaliam que a combinação entre prazos curtos, ausência de laudos periciais conclusivos e a centralização no STF pode desgastar a credibilidade das instituições.

Pano de fundo político

No Congresso, oposicionistas articulam a criação de uma CPI para apurar as ligações do caso com o Executivo, enquanto aliados do governo destacam que a apuração é técnica e independente. A Presidência da República foi questionada sobre as reuniões e contratos, mas não respondeu até o fechamento desta matéria.

Com informações de Gazeta do Povo