Brasília, 31 de janeiro de 2026 – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sugeriu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o nome de Guilherme Mello, atual secretário de Política Econômica da pasta, para uma das duas cadeiras abertas no Conselho Diretor do Banco Central (BC).
A indicação ainda depende de sabatina e aprovação pelo Senado Federal. O colegiado, que deveria ter nove integrantes, opera com apenas sete desde o fim de 2025, quando expiraram os mandatos dos ex-diretores Diogo Guillen e Renato Gomes. A presidência do BC é ocupada por Gabriel Galípolo.
Mello, 42 anos, é considerado um dos principais formuladores da equipe econômica e defende, ao lado de Haddad, a necessidade de redução da taxa básica de juros. A Selic está em 15% ao ano, nível mais alto em quase duas décadas.
Não é a primeira vez que Haddad orienta escolhas para a autoridade monetária. Galípolo, indicado ao BC em 2023 e posteriormente alçado à presidência da instituição, havia sido secretário-executivo da Fazenda durante a gestão de Haddad.
Embora a sugestão esteja sobre a mesa, fontes do governo afirmam que Lula ainda não tomou decisão final sobre o encaminhamento do nome ao Senado.
Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a Selic pela quinta reunião consecutiva e sinalizou a possibilidade de iniciar um ciclo de cortes em março. Apenas sete diretores participaram da votação devido às vagas em aberto.
Associado à corrente estruturalista de pensamento econômico — de orientação à esquerda e favorável a maior intervenção estatal e investimentos públicos para corrigir desequilíbrios entre oferta e demanda —, Mello é visto como voz dissonante em relação ao foco tradicional na política monetária como principal instrumento de controle da inflação.
Com informações de Gazeta do Povo