Pequim, 31 jan. 2026 – O relatório anual da organização China Aid detalha como o governo chinês vem reestruturando suas instituições para ampliar o controle sobre atividades cristãs, combinando mudanças legais, administrativas, tecnológicas e ideológicas.
Rede de repressão institucionalizada
Segundo o documento, ao longo da última década a Direção de Assuntos Religiosos implementou um sistema de repressão “altamente institucionalizado” destinado a limitar a prática cristã no país. A política nacional deixou de buscar apenas “estabilidade” e passou a remodelar a existência religiosa, a estrutura interna das igrejas e suas funções sociais, afirma o relatório.
Legislação mais rígida
A China redefiniu diversas atividades antes consideradas rotineiras como ilegais, enquadrando-as como “reuniões ilícitas” ou ameaças à segurança nacional. Entre as normas citadas estão o Regulamento sobre Assuntos Religiosos, o Regulamento sobre a Gestão de Grupos Religiosos, a Lei de Segurança Nacional e as Medidas para a Administração de Serviços de Informação Religiosa na Internet.
Interferência ideológica
O Estado passou a interferir diretamente na interpretação doutrinária, na escolha de líderes e na administração de espaços religiosos. Igrejas que não aderem ao Movimento Patriótico das Três Autonomias – órgão oficial responsável por alinhar instituições religiosas às diretrizes do Partido Comunista – são dissolvidas, forçadas à clandestinidade ou compelidas a se filiar ao movimento.
O relatório aponta que púlpitos e cursos teológicos vêm sendo substituídos por diretrizes administrativas e tarefas políticas. Declarações consideradas “ambíguas” podem ser rotuladas como heresia, extremismo ou infiltração estrangeira.
Pressão além das igrejas
Fora dos templos, cristãos relatam pressão no trabalho, em escolas e universidades. Grupos que buscam manter independência doutrinária correm risco de proibição, fusão ou repressão contínua. Paralelamente, o governo restringe intercâmbios internacionais e bloqueia recursos teológicos vindos do exterior, isolando comunidades locais.
Vigilância digital desde 2025
A partir de 2025, todo assunto religioso passou a exigir aprovação estatal, abrangendo cultos, designação de líderes, locais de reunião, formação teológica e publicações. Templos devem hastear a bandeira nacional e pastores são submetidos a avaliações de pensamento.
Ferramentas tecnológicas tornaram-se centrais na repressão: registro com nome real, censura de conteúdo, reconhecimento facial e rastreamento por big data monitoram encontros, doações e interações pessoais. De acordo com o China Aid, o modelo reduz drasticamente o espaço de atuação religiosa e fere direitos de privacidade, associação e expressão.
O relatório conclui que a China permanece empenhada em restringir a liberdade religiosa, utilizando arcabouço jurídico e recursos tecnológicos para pressionar comunidades cristãs e impedir o apoio internacional.
Com informações de Gazeta do Povo