Uma nota divulgada pelo ministro Dias Toffoli em 30 de janeiro de 2026, para rebater críticas relacionadas ao inquérito do Banco Master, não esclareceu pontos considerados essenciais por parlamentares, juristas e investigadores. O texto, em vez de encerrar questionamentos, gerou novo desgaste político e institucional para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Interrogações sem resposta
O comunicado do ministro não detalha a participação de parentes em negócios ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, entre eles um resort no Paraná. Também ficaram pendentes explicações sobre:
- O motivo da restrição inicial de acesso da Polícia Federal (PF) às provas apreendidas;
- A decisão de manter o material fora da custódia da PF;
- Os critérios usados para a escolha de peritos responsáveis pela análise dos dados.
Reações no Congresso
No Senado, cresceram pedidos para que José Carlos Dias Toffoli, irmão do ministro, seja ouvido na CPI do Crime Organizado. Além disso, solicitações de impeachment contra o magistrado ganharam novos argumentos a partir das reportagens que apontam vínculos de seus familiares com negócios ligados ao Banco Master.
Pontos questionados por especialistas
Advogados e juristas apontam que a condução do inquérito fugiu do padrão. Entre as principais críticas estão:
- Concentração de atos relevantes dentro do próprio STF;
- Custódia de provas fora da Polícia Federal;
- Aplicação de sigilo máximo em praticamente todas as fases.
Para especialistas, o acúmulo de decisões excepcionais pode comprometer a percepção de imparcialidade e abrir brechas para futuras contestações capazes de anular o processo.
“Fatiamento” da investigação
A nota de Toffoli menciona de forma genérica o possível “fatiamento” do inquérito, isto é, o envio de parte dos autos à primeira instância e a permanência de outra parte no Supremo. Críticos afirmam que não há critérios claros sobre quais provas seriam encaminhadas nem quais continuariam sob supervisão direta do ministro, o que intensifica a suspeita de tratamento diferenciado a informações sensíveis.
Efeitos sobre a imagem do STF
O episódio é visto como mais um fator de desgaste para a corte em casos de alto impacto. A controvérsia, observam analistas, projeta dúvidas sobre o tribunal como um todo, reacendendo debates sobre transparência e limites institucionais na atuação de seus ministros.
Até o momento, o STF não informou se novos esclarecimentos serão divulgados nem se haverá mudanças nos procedimentos do inquérito.
Com informações de Gazeta do Povo