O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) divulgou nesta sexta-feira (30) mais uma remessa de documentos dos Epstein Files, totalizando cerca de 3 milhões de páginas e 180 mil imagens. Entre os novos materiais aparecem supostas conversas de celular entre o financista Jeffrey Epstein e o estrategista político norte-americano Steve Bannon, ex-conselheiro do então presidente Donald Trump, a respeito do ex-mandatário brasileiro Jair Bolsonaro (PL).
Os diálogos, apresentados em capturas de tela, datam de 8 e 12 de outubro de 2018 — período entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial no Brasil. Bolsonaro venceu o pleito em 28 de outubro daquele ano.
Conversas de 8 de outubro de 2018
Na primeira troca de mensagens, Epstein descreve Bolsonaro como “um revolucionário” por não enfrentar fluxo de refugiados, não estar subordinado a “Bruxelas” e ter apenas o desafio de “recuperar a economia” de US$ 1,8 trilhão. Bannon responde que é “muito próximo desses caras” e revela que foi convidado a atuar como conselheiro. “Devo aceitar?”, questiona.
Epstein ironiza dizendo que a proposta seria “reinar no inferno”. Bannon retruca que a atuação simultânea no Brasil e na Europa seria equivalente a “reinar no céu”, destacando a importância de a direita comandar os dois polos. Epstein alerta que Bannon “não conhece ninguém lá” e compara a política sul-americana ao jogo “52 pick-up”, no qual todas as cartas são jogadas ao chão, indicando instabilidade.
Troca de 12 de outubro de 2018
Quatro dias depois, Epstein menciona ter desaprovado declaração pública de Bolsonaro classificando como “fake news” qualquer vínculo com Bannon, “embora eu entenda”. O financista diz preferir um boné com a inscrição “MBGA” (“Make Brazil Great Again”).
Bannon responde: “Tenho que manter essa coisa do Jair nos bastidores. Meu poder vem do fato de não ter ninguém para me defender.” Epstein concorda, mas adverte que o estrategista corre riscos e recomenda cautela, alerta endossado por Bannon com “1.000%”.
Contexto atual
Até o momento, os filhos de Jair Bolsonaro não se pronunciaram sobre os documentos. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado, ocorrida após as eleições de 2022.
A liberação do material cumpre lei aprovada pelo Congresso dos EUA que obriga a divulgação integral dos arquivos mantidos pelo DOJ sobre Epstein. O prazo oficial expirou em 19 de dezembro, mas a publicação vem ocorrendo em lotes. O DOJ advertiu que parte do conteúdo pode incluir itens falsificados, pois a compilação inclui tudo o que foi enviado ao FBI pelo público. Jeffrey Epstein morreu por suicídio em 2019, enquanto aguardava julgamento por acusação de tráfico sexual de menores.
Com informações de Gazeta do Povo