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Ligga investiu R$ 350 milhões em CCBs do Banco Master e sofre rebaixamento de rating

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A Ligga Telecom, controlada pelo empresário Nelson Tanure e maior operadora de fibra óptica do Paraná, direcionou cerca de R$ 350 milhões de seu caixa para aplicações sem liquidez diária, parte delas em cédulas de crédito bancário (CCBs) emitidas pelo Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

A ausência de transparência sobre essas aplicações levou a agência de classificação de risco Moody’s a cortar a nota da companhia em dezembro de 2025, de BBB.br para BB-.br, com perspectiva negativa. O relatório da agência menciona “baixo grau de visibilidade” sobre a liquidez dos investimentos e aponta “intensa pressão” sobre o perfil de caixa da empresa.

Caixa secou enquanto aplicações cresceram

Demonstrativos financeiros mostram mudança brusca entre 2021 e 2022. Em 2021, a Ligga possuía cerca de R$ 344 milhões em caixa com liquidez diária e nenhum valor aplicado em instrumentos ilíquidos. Já em dezembro de 2022, o caixa livre caiu para R$ 5,9 milhões, enquanto as aplicações financeiras, sem resgate imediato, somavam R$ 353 milhões. Essas aplicações rendiam entre 101% e 146,221% do CDI.

A decisão de aplicar os recursos coincidiu com a aprovação, pela diretoria da Ligga, da contratação de CCBs do Master. O tema não passou pelo Conselho de Administração, responsável por decisões estratégicas de maior risco.

PF apura elo entre Tanure e o Master

A Polícia Federal investiga se fundos controlados ou influenciados por Tanure teriam sido usados para capitalizar o banco ou absorver créditos problemáticos. Em 14 de janeiro de 2026, o empresário teve o celular apreendido no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, durante a segunda fase da Operação Compliance Zero. A suspeita é de que Tanure atuasse como sócio oculto do então proprietário do Master, Daniel Vorcaro.

Tanure nega participação societária no banco e afirma ser apenas cliente, “nas mesmas condições em que é atendido por outras instituições”.

Estrutura de capital em transformação

A Ligga, antiga Copel Telecom, foi comprada por Tanure em 2020, por meio do fundo Bordeaux Participações, por R$ 2,4 bilhões. Em 2021, a empresa emitiu debêntures de R$ 300 milhões. No fim de setembro de 2025, os investimentos ilíquidos totalizavam R$ 388,6 milhões, enquanto o caixa disponível somava apenas R$ 19,1 milhões. Em outubro de 2025, a companhia quitou um empréstimo de R$ 101,5 mil com o Master.

Diferentemente dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), valores aplicados em CCBs não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.

Rumores de venda e alienação de espectro 5G

Na última semana de janeiro de 2026, surgiram negociações preliminares para a venda da Ligga à operadora Brasil Tecpar, segundo o portal Pipeline, do Valor Econômico. As tratativas são “exploratórias e não vinculantes”, de acordo com comunicado das empresas.

Em 28 de janeiro, a Ligga informou a venda de sua autorização de uso do espectro 5G no Paraná à Unifique Telecomunicações por R$ 20 milhões, alegando realocação de capital para “outras frentes de crescimento”.

Procuradas, a Ligga e a defesa de Tanure não se manifestaram.

Com informações de Gazeta do Povo