Nesta sexta-feira, 30 de janeiro de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a indicação do financista e ex-executivo bancário Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed). Warsh, que integrou o Conselho de Governadores do banco central entre 2006 e 2011, terá de passar pela sabatina e aprovação do Senado.
Se confirmado, o novo presidente assumirá sob pressão dupla: de um lado, a Casa Branca exige cortes adicionais na taxa básica; de outro, investidores cobram que o Fed mantenha sua independência operacional.
Choques entre Trump e o banco central
Desde que retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump intensificou críticas ao Fed e ao atual presidente, Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. Nos últimos meses, o republicano tomou medidas incomuns em relação à autoridade monetária:
- Agosto de 2025 – demitiu a diretora Lisa Cook, acusando-a de fraude hipotecária. A decisão foi suspensa pela Justiça e está agora na Suprema Corte.
- Setembro de 2025 – nomeou Stephen Miran para a vaga de Adriana Kugler. Mesmo empossado, Miran manteve licença não remunerada como conselheiro econômico da Casa Branca e passou a votar por reduções de juros mais agressivas.
- 11 de janeiro de 2026 – Powell comunicou que o Departamento de Justiça abriu investigação sobre supostas irregularidades na reforma de prédios do Fed, o que ele atribuiu a tentativas de intimidar a autoridade monetária.
“A questão é saber se o Fed continuará definindo juros com base em evidências econômicas ou se a política monetária será conduzida por pressão política”, declarou Powell ao anunciar a investigação.
Política de juros e inflação
Em 28 de janeiro, o Comitê Federal de Mercado Aberto manteve a taxa entre 3,5% e 3,75%, após três reduções em 2025. A decisão ocorreu num cenário de inflação de 2,7% em 2025, bem inferior ao pico de 9,1% registrado em junho de 2022, mas ainda acima da meta histórica de 2%.
Logo após a reunião, Trump atacou Powell na rede Truth Social: “Jerome Tarde Demais Powell recusou-se novamente a reduzir as taxas de juros, mesmo sem ter absolutamente nenhuma razão para mantê-las tão altas… Deveríamos ter uma taxa substancialmente menor”, escreveu o presidente.
Debate sobre independência
A escalada de tensões provocou reação no mercado e na imprensa. Em editorial publicado depois da abertura da investigação contra Powell, o Washington Post afirmou que caberá ao Senado e à Suprema Corte decidir se o Fed “se tornará um órgão similar a um gabinete presidencial ou preservará algum grau de independência”.
Com a indicação de Kevin Warsh agora nas mãos dos senadores, o futuro do banco central norte-americano — e a condução dos juros — permanece no centro do embate entre Casa Branca e Fed.
Com informações de Gazeta do Povo