Brasília – Ricardo Leyser Gonçalves, ex-ministro do Esporte no governo Dilma Rousseff (PT) e hoje diretor da VBR Engenharia, enviou ao Ministério das Cidades um pedido de financiamento que inclui o Banco Master para a construção de 20 mil moradias no Rio Grande do Sul após as enchentes que atingiram o estado.
O ofício, datado de maio de 2024 e classificado na modalidade “Oferta Pública” do programa Minha Casa, Minha Vida, sugere que o Master, o Banco Digimais e o Banco Genial assumiriam “o risco de contratação das construtoras”. A proposta teve sua última tramitação em julho de 2025 na Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos (Aspar), mas não avançou. Segundo nota do Ministério das Cidades, “a modalidade nunca foi regulamentada e tampouco possui dotação orçamentária”.
Detalhes da proposta
No documento, Leyser afirma que a VBR Engenharia — citada no texto como VBG Engenharia e Empreendimentos — trabalha “desde março de 2023” com a Federação dos Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) e que já apresentou projetos semelhantes a 1.200 prefeituras. Para acelerar a reconstrução, a construtora propõe erguer as casas com painéis pré-moldados, permitindo levantar cerca de 100 unidades em três meses. Também foi anexada uma minuta de portaria para viabilizar o modelo.
Posicionamentos
Em nota, Leyser defendeu a legalidade da oferta: “A atuação seguiu padrões de transparência, com documentos protocolados e sem qualquer remuneração”. Ele acrescentou que os recursos seriam depositados em “conta gráfica vinculada ao Ministério das Cidades” e que a fiscalização ficaria a cargo do Banco Central.
O Banco Genial declarou que “não faz e nunca fez parte de nenhum projeto com foco em construção de moradias no Rio Grande do Sul, bem como não possui contratos vigentes com as empresas citadas”. Banco Master, Banco Digimais, Famurs e a ex-presidente Dilma Rousseff foram procurados, mas não responderam.
Contexto do Banco Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em meio a investigações sobre emissão de crédito sem lastro. O escândalo envolve ainda o Banco de Brasília (BRB), que adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras do Master, e levou à prisão do controlador da instituição, Daniel Vorcaro. No Congresso, parlamentares articulam uma CPI para apurar supostas fraudes e a relação do ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli com Vorcaro.
Com informações de Gazeta do Povo