Os costarriquenhos vão às urnas neste domingo, 1º de fevereiro, para escolher o presidente que governará o país entre 2026 e 2030. A votação ocorre em meio a forte preocupação com a escalada de homicídios e a expansão do narcotráfico, temas que dominaram a campanha eleitoral.
Segurança vira pauta principal
Reconhecida por décadas como um dos países mais pacíficos da América Latina, a Costa Rica viu a taxa de homicídios subir para 16,6 por 100 mil habitantes, a terceira mais alta da América Central. Em 2025, a quantidade de cocaína apreendida dobrou em relação ao ano anterior. Casos de grande repercussão, como o desmantelamento de um cartel transnacional e a prisão de um ex-ministro por tráfico, reforçaram o clima de insegurança.
Favoritismo governista
Líder nas pesquisas com 44% das intenções de voto, a ex-ministra Laura Fernández, candidata do governo do presidente Rodrigo Chaves, adotou discurso de “linha-dura”. Ela promete reforçar o efetivo policial, ampliar o uso de scanners em portos e fronteiras e intensificar a cooperação com a agência antidrogas norte-americana DEA. Sua proposta mais controversa é a decretação de estados de exceção em áreas consideradas críticas.
O que é o estado de exceção
A medida autoriza o governo a suspender temporariamente garantias constitucionais, como direito de reunião e inviolabilidade de domicílio, para facilitar operações de grande porte contra o crime organizado em zonas de alta violência. A estratégia ganhou projeção após ser aplicada amplamente em El Salvador no combate às gangues.
Planos dos adversários
Na segunda colocação, mas ainda distante, o centrista Álvaro Ramos propõe criar um laboratório de balística, contratar 6 mil policiais e implantar “contêineres inteligentes” com selos eletrônicos a fim de conter o tráfico. A opositora de esquerda Claudia Dobles, também com cerca de 9% nas sondagens, rejeita o estado de exceção e defende ações preventivas, com maior investimento em educação e em inteligência policial para afastar jovens do crime.
Indecisos podem definir resultado
Apesar da vantagem de Fernández, 26% do eleitorado segue indeciso, índice considerado capaz de alterar o cenário entre os 19 candidatos inscritos. O novo presidente enfrentará o desafio imediato de recuperar a sensação de segurança que por muitos anos diferenciou a Costa Rica na região.
Com informações de Gazeta do Povo