Em meio ao aumento da tensão entre Washington e Havana, embaixadas estrangeiras e companhias internacionais instaladas em Cuba revisam planos de contingência e, em alguns casos, preparam a evacuação de funcionários e familiares. A movimentação foi relatada nesta quinta-feira (29) pela agência EFE, que ouviu diplomatas e representantes do setor privado na capital cubana.
Segundo esses relatos, a preocupação ganhou força nas últimas semanas, impulsionada pela piora da crise interna — caracterizada por longos apagões, escassez aguda de combustíveis e colapso da atividade econômica — e pelo novo cenário geopolítico no Caribe após a captura do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro por tropas dos Estados Unidos em 3 de janeiro.
Pelo menos dez países da Europa e da América Latina confirmaram em caráter reservado que estão atualizando planos de retirada e conferindo listas de cidadãos residentes na ilha. Em algumas missões diplomáticas, servidores entraram em contato direto com conterrâneos para checar dados pessoais e rotas de saída.
Uma diplomata ouvida sob condição de anonimato afirmou que é “obrigação das representações estarem prontas para diferentes cenários”.
Setor privado também se mobiliza
Filiais de multinacionais têm reavaliado operações diante do risco de uma intervenção militar — ainda que limitada — dos Estados Unidos e do impacto imediato da crise energética sobre a produção. De acordo com fontes consultadas pela EFE, a britânica Unilever já retirou familiares de empregados estrangeiros que atuam em Cuba. A empresa não se pronunciou oficialmente.
Sinais de Washington
O subsecretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, declarou nesta quinta-feira que espera ver, ainda este ano, os cubanos “exercendo suas liberdades fundamentais”, numa referência a uma possível mudança de regime. Dois dias antes, o presidente Donald Trump afirmou que, sem o fornecimento de petróleo venezuelano, o governo comunista estaria “à beira de cair”.
Na coletiva que se seguiu à captura de Maduro, o secretário de Estado Marco Rubio comentou que, se estivesse em Havana, estaria “preocupado, ainda que um pouco”.
Com informações de Gazeta do Povo