O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta quinta-feira (29) que o atual presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, tomou conhecimento das dificuldades de liquidez do Banco Master apenas depois de assumir o comando da autarquia, em 2025. Segundo o ministro, a gestão anterior, de Roberto Campos Neto, não comunicou à Fazenda qualquer indício de irregularidade na instituição financeira.
“Não houve diálogo do Banco Central com o Ministério da Fazenda até a posse do Gabriel Galípolo. Logo que assumiu, ele percebeu o tamanho do abacaxi e constatou a gravidade da situação”, afirmou Haddad a jornalistas na chegada ao ministério, em Brasília.
Acionamento de MPF e PF
De acordo com o ministro, após identificar fraudes em carteiras de crédito negociadas pelo Banco de Brasília (BRB) com o Master, Galípolo envolveu o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. As carteiras, sem lastro, teriam gerado perdas de R$ 12,2 bilhões ao banco brasiliense.
Haddad ressaltou que o episódio vai além de má gestão. “Não se trata de erro administrativo, e sim de crime”, disse, frisando que nunca se encontrou com Daniel Vorcaro, controlador do Master.
Duas frentes de investigação
O ministro detalhou que o caso apresenta duas frentes: a venda dos créditos fraudados ao BRB, já sob investigação do MPF e da PF, e a posterior troca desses títulos por outros ativos do Master, cujo valor de garantia estaria aquém do necessário.
“São dois problemas em momentos diferentes; ainda não temos a dimensão exata”, comentou.
Provisões bilionárias
Na véspera, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, estimou que o rombo no BRB pode alcançar R$ 5 bilhões. Inicialmente, a autoridade monetária exigiu provisão de R$ 2,6 bilhões nos demonstrativos de 2026; agora, a orientação é elevar o montante em mais R$ 2,2 bilhões devido à baixa qualidade dos ativos recebidos do Master.
Com informações de Gazeta do Povo