Brasília – O Banco Central (BC) abriu uma investigação interna para verificar possíveis falhas na fiscalização e no processo que resultou na liquidação do Banco Master, instituição controlada pelo empresário Daniel Vorcaro.
Determinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, a apuração corre sob sigilo na Corregedoria do BC desde o fim de 2025. De acordo com fontes ouvidas por jornais de circulação nacional, o objetivo é identificar eventuais erros técnicos ou institucionais antes da intervenção, a fim de ajustar procedimentos e evitar casos semelhantes.
Saída de dirigentes de fiscalização entra no radar
Duas mudanças na área de supervisão reforçaram a necessidade de esclarecimentos: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, que comandavam o Departamento de Supervisão Bancária, deixaram seus cargos recentemente. O BC afirma que a troca de ocupantes em funções comissionadas é prática usual e não há, até o momento, acusações formais contra os ex-dirigentes.
Sérgio Neves, servidor de carreira, autorizou em 2021 a compra do antigo Banco Máxima por Vorcaro, operação que originou o Banco Master. Já Belline, apontado como possível futuro diretor de Fiscalização, assinou ofícios enviados ao Ministério Público Federal sobre as operações da instituição. Em um desses documentos, citou que a suspeita de compra de carteiras de crédito fictícias, registrada no fim de 2024, fora desfeita no início de 2025, sem indícios de irregularidades em crédito consignado concedido pelo próprio Master.
Crescimento acelerado e liquidação
O Banco Master expandiu-se rapidamente ao captar recursos via CDBs com remuneração de até 140% do CDI, enquanto concorrentes ofereciam no máximo 98%. O volume de ativos saltou de R$ 3,7 bilhões (2019) para R$ 82 bilhões (2024). Com o modelo sob pressão, a instituição passou a ser acompanhada de perto pelo BC a partir de 2024, período em que Vorcaro negociou a venda para o Banco de Brasília (BRB).
Em 18 de novembro de 2025, o BC decretou a liquidação do Master, afastou a diretoria e bloqueou bens para ressarcir credores. Na mesma data, a Polícia Federal iniciou operação para investigar suposta fraude de R$ 12,2 bilhões na negociação de carteiras de crédito envolvendo o BRB. Ambos os bancos negam irregularidades e afirmam que colaboram com as autoridades.
A Gazeta do Povo procurou o Banco Central para comentar a investigação interna e aguarda resposta.
Com informações de Gazeta do Povo