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Recursos do FGC injetam R$ 40,6 bi no mercado e oferecem fôlego imediato ao governo Lula

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A liberação de R$ 40,6 bilhões pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir perdas de clientes do Banco Master, anunciado em meio à liquidação da instituição, deve deslocar uma parte expressiva desse montante para aplicações consideradas mais seguras, especialmente títulos públicos federais. A avaliação é de especialistas que veem, no curto prazo, reforço de caixa para o governo Lula, mas apontam possíveis efeitos colaterais sobre a taxa básica de juros.

Destino conservador favorece Tesouro

Segundo o professor de Administração da ESPM, Jorge Ferreira, a crise envolvendo CDBs do Master reduziu o apetite por renda fixa privada. Ao receber o ressarcimento, investidores tendem a procurar alternativas de menor risco. Nessa rota, aparecem os CDBs de grandes bancos e, sobretudo, papéis do Tesouro Nacional, cuja garantia é o próprio erário público.

Se a procura por esses títulos avançar, o governo poderá captar recursos com remunerações mais baixas, barateando o custo da dívida. Além disso, a entrada imediata de dinheiro via colocação de títulos ajuda a cobrir déficits de caixa e a financiar programas em um ano eleitoral.

Liquidação do Will Bank pode ampliar volume

O total mobilizado pelo FGC pode crescer, caso a liquidação do Will Bank se confirme. Mais recursos significariam demanda adicional por aplicações conservadoras, reforçando o impacto sobre o mercado de títulos públicos.

Consumo e grandes bancos disputam parte do dinheiro

Tânia Gofredo, economista-chefe da GEP Brasil, frisa que a migração automática para o Tesouro não é certa. Bancos de grande porte têm capacidade de atrair os novos recursos graças à robustez de suas carteiras. Ferreira acrescenta um terceiro caminho: parte dos ressarcidos pode direcionar o valor a consumo — reformas, viagens ou compras — aumentando a quantidade de moeda em circulação e pressionando a inflação.

Efeito sobre a Selic

Qualquer pressão inflacionária ou abalo de confiança no sistema financeiro pode estender o atual patamar da Selic. Ferreira lembra que o Banco Central considera quatro pilares ao definir a taxa: inflação — que fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto de 4,5% —, mercado de trabalho aquecido (desemprego de 5,2% em novembro), risco cambial e expectativas de preços. A crise do Master afeta o último item, a desancoragem das expectativas, o que pode retardar cortes de juros.

O mercado já trabalha com manutenção da Selic em 15% na reunião do Comitê de Política Monetária marcada para 28 de janeiro, com possibilidade de início de ciclo de queda apenas a partir de março.

Dívida em alta mantém ciclo de juros elevados

Analistas de contas públicas citados pela reportagem apontam a ausência de ajustes fiscais estruturais como fator que mantém os juros altos. Apesar de arrecadação recorde e R$ 337 bilhões fora da meta, o governo segue gastando acima do que arrecada, elevando a dívida e pressionando a taxa básica.

Dentro da narrativa oficial, entretanto, o Ministério da Fazenda atribui o aumento da dívida aos juros elevados herdados do governo anterior. Enquanto o impasse persiste, a “enxurrada” de recursos do FGC dá alívio momentâneo ao caixa federal, mas também pode reforçar razões para que o Banco Central mantenha a Selic em nível elevado por mais tempo.

Com informações de Gazeta do Povo