Londres, 28 jan. 2026 – O serviço secreto britânico (MI6) passou a utilizar a dark web para atrair novos agentes e coletar informações sigilosas de fontes que vivem na Rússia e em outras nações classificadas como hostis ao Reino Unido.
Lançada em setembro, a plataforma batizada de Silent Courier estabelece um canal anônimo e criptografado entre potenciais informantes e a inteligência britânica. O anúncio foi feito pelo então chefe do MI6, Sir Richard Moore, durante discurso em Istambul.
Como funciona o novo portal
Segundo o MI6, qualquer pessoa que detenha dados sobre terrorismo internacional, instabilidade global ou atividades de espionagem de Estados adversários pode enviar material por meio do sistema. Instruções de acesso são divulgadas no canal oficial da agência no YouTube, que recomenda o uso de VPNs confiáveis e aparelhos desvinculados da identidade do usuário para reduzir riscos de rastreamento.
A adoção da dark web marca uma mudança de método para o MI6, tradicionalmente dependente de encontros presenciais e canais diplomáticos. O objetivo é alcançar fontes localizadas em países com forte repressão interna, como a Rússia, onde o contato direto com serviços de inteligência ocidentais se tornou mais difícil.
Foco na Rússia e em outros adversários
No mesmo pronunciamento, Moore criticou o presidente russo Vladimir Putin ao afirmar que não há sinais de disposição de Moscou para uma solução negociada na guerra da Ucrânia. Ele ainda apontou “deterioração econômica e demográfica” de longo prazo no país.
Além da Rússia, o MI6 busca colaboradores na China, Irã, Coreia do Norte e demais adversários estratégicos. Moore acusou Pequim de ajudar o esforço de guerra russo com fornecimento de bens de uso duplo, como componentes eletrônicos e produtos químicos.
Reforço de orçamento e continuidade da operação
O lançamento do Silent Courier ocorreu paralelamente ao maior aumento de gastos britânicos em defesa e inteligência desde a Guerra Fria, segundo o governo. Autoridades não divulgam detalhes técnicos da plataforma por razões de segurança operacional.
Sir Richard Moore deixou o comando do MI6 no fim de setembro, sendo substituído por Blaise Metreweli, primeira mulher a dirigir a agência. O portal permanece ativo como peça central da estratégia de Londres para ampliar sua rede de espionagem em territórios considerados críticos.
Com informações de Gazeta do Povo