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Em visita ao Panamá, Lula mira Trump e lamenta fragmentação latino-americana

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Cidade do Panamá — 28 jan. 2026 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a América Latina vive “um dos maiores retrocessos” em matéria de integração, atribuindo a crise a extremismos ideológicos e a intervenções do governo de Donald Trump na região.

O pronunciamento foi feito na abertura do Fórum Econômico da América Latina e Caribe, na capital panamenha, onde Lula desembarcou na terça-feira (27). Sem citar Trump nominalmente, o chefe do Executivo brasileiro disse que “conflitos e disputas alheios se impõem” aos países do continente e antecipou que deverá viajar a Washington no fim de março para uma nova reunião presencial com o presidente norte-americano.

Integração emperrada

Lula recordou que iniciativas criadas entre 2003 e 2014 — como a Unasul — perderam força e apontou a Celac como incapaz de emitir “uma única declaração contra intervenções militares ilegais”. A referência foi à ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na prisão do ditador Nicolás Maduro.

Segundo o presidente, paradigmas tradicionais de pan-americanismo e bolivarianismo se mostram “insuficientes” diante do avanço do protecionismo e do unilateralismo no cenário global. A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo, afirmou, é um fator “inescapável” em meio a “tentações hegemônicas”.

Canal do Panamá e crítica a Washington

Ainda no discurso, Lula defendeu que o Canal do Panamá permaneça neutro, administrado “de forma eficiente, segura e não discriminatória”, após o canal ter entrado na mira dos Estados Unidos em disputa comercial com a China.

Recursos e comércio

O petista cobrou das lideranças regionais um projeto mais autônomo de inserção internacional, lembrando as reservas de petróleo, minerais críticos, terras raras e a floresta amazônica. Disse que o continente carece de conflitos religiosos profundos e conta majoritariamente com governos eleitos democraticamente, o que facilitaria a integração.

Lula destacou ainda que o Brasil optou pelo caminho da democracia, do multilateralismo e da estabilidade política, social, econômica, fiscal e jurídica. Ele citou a taxação de 40% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, em vigor desde agosto passado, e garantiu que o país responderá a práticas protecionistas com “diálogo e firmeza”.

O presidente também mencionou os acordos do Mercosul com Cingapura e com a União Europeia — este último paralisado após questionamento no Parlamento Europeu —, além de negociações em curso com Índia, México, Colômbia e Equador. Por fim, anunciou a continuidade do programa Rotas de Integração Sul-Americana como prova do compromisso brasileiro com a aproximação continental.

Com informações de Gazeta do Povo