Rio de Janeiro, 28 jan. 2026 – O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) enfrenta uma disputa interna após mudanças em cargos de confiança que, segundo servidores, foram adotadas sem diálogo e de modo “predominantemente midiático”.
No centro do impasse está a exoneração da coordenadora de Contas Nacionais, Rebeca Palis, ocorrida a menos de um mês da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025, agendada para março. A área é responsável pela implantação do novo ano-base do Sistema de Contas Nacionais, que revisa metodologias, incorpora bases de dados e atualiza séries históricas usadas para cálculos como PIB, Renda Nacional, Investimento e Poupança.
Em nota, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística (ASSIBGE) afirmou que, embora a gestão tenha prerrogativa para substituir chefias, o processo “deveria ter sido conduzido de forma mais cuidadosa”, com transição estruturada e diálogo prévio com Palis.
Reclamações levadas a parlamentares
No fim de 2025, durante o lançamento da Caravana Federativa, sindicalistas entregaram a Rogério Correia (PT-MG) um envelope relatando “precarização interna”, “cenário de assédio”, “perda de capacidade técnica” e “enfraquecimento do papel estratégico do IBGE”. O deputado prometeu repassar o material ao presidente Lula.
Em outra frente, representantes do sindicato conversaram com os deputados Tarcisio Mota (PSOL-RJ) e Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ) para alertar que a migração de dados estatísticos à “nuvem soberana” do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) traria riscos à segurança e à integridade das informações públicas.
Críticas à “nuvem soberana” e à terceirização
Segundo o ASSIBGE, o projeto envolve serviços prestados por big techs e pode criar dependência orçamentária. O sindicato argumenta que o IBGE já opera um data center próprio, em regime 24 horas por dia, há mais de 20 anos, e que a terceirização de tecnologia poderia gerar “gargalos burocráticos” se faltarem recursos para pagar o Serpro.
Gestão de Pochmann é alvo de resistência
O IBGE está vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento, comandado por Simone Tebet. À frente do instituto desde 2023, o economista Marcio Pochmann – ex-presidente da Fundação Perseu Abramo e do Instituto Lula – enfrenta oposição de parte do corpo técnico. Servidores o acusam de “constranger e limitar a atuação legítima da entidade sindical”, práticas classificadas como antissindicais pelo ASSIBGE.
Procurados, o sindicato e a Presidência do IBGE mantêm canais abertos para esclarecimentos. Até o momento, não há previsão de nova reunião entre as partes.
Com informações de Gazeta do Povo