Um ano após Donald Trump reassumir a Casa Branca e ampliar tarifas sobre praticamente todos os parceiros dos Estados Unidos, vários governos passaram a erguer suas próprias barreiras comerciais, intensificando uma série de disputas tarifárias pelo mundo.
Novas medidas anunciadas
Equador x Colômbia – Na quarta-feira passada, 21 de janeiro, o presidente equatoriano Daniel Noboa fixou tarifa de 30% sobre produtos colombianos, alegando falta de colaboração de Bogotá no combate ao narcotráfico. O governo Gustavo Petro reagiu suspendendo a venda de energia elétrica ao Equador e impondo taxa idêntica a mais de 50 itens equatorianos.
Índia – Também na semana passada, Nova Délhi elevou de 10% para 20% o imposto de importação de telas planas. A medida foi enquadrada no programa Make in India, lançado em 2014 para incentivar a produção local.
México – Na virada do ano, o país passou a cobrar tarifas entre 5% e 50% sobre 1.463 linhas de produtos originários de nações sem acordo comercial com o México, como China, Rússia e Brasil.
China – Pequim definiu tarifa de 55% para importações de carne bovina que superem novas cotas. Em dezembro já havia anunciado tarifas de até 42,7% sobre laticínios da União Europeia, justificando subsídios “injustos” e retaliando sobretaxas europeias de até 45,3% contra veículos elétricos chineses.
África do Sul – Segundo a agência Bloomberg, divulgou-se nesta terça-feira (27) que Pretória avalia sobretaxar em até 50% veículos provenientes de China e Índia, seus parceiros nos Brics, para proteger a indústria automotiva local.
Pressão norte-americana e disputas políticas
Para o professor Josilmar Cordenonssi, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, a decisão mexicana está diretamente ligada às tarifas norte-americanas. Washington pressiona o vizinho a igualar impostos para impedir que o México importe produtos mais baratos e depois os revenda aos EUA.
Sobre o embate entre Colômbia e Equador, o economista aponta possível componente ideológico — Noboa é de direita e Petro, de esquerda — agravado pela eleição presidencial colombiana marcada para 31 de maio. Ele avalia que as tarifas podem ser renegociadas ou suspensas rapidamente.
Protecionismo em alta
Cordenonssi afirma que o aumento de tarifas reflete um cenário de esvaziamento da Organização Mundial do Comércio, com redução do livre-comércio e avanço do protecionismo. Na visão do professor, potências médias, como o Brasil, teriam mais a ganhar ao impulsionar a OMC e buscar acordos fora do eixo China-EUA, evitando aderir à escalada tarifária.
Com informações de Gazeta do Povo