Um pastor evangélico foi detido por mais de 48 horas, multado e obrigado a deixar sua comunidade em Santiago Malacatepec, no município de San Juan Mazatlán Mixe, estado de Oaxaca, após recusar-se a ajoelhar e rezar diante de uma imagem religiosa durante a Festa de São Tiago Apóstolo.
Identificado como Mariano Velásquez Martínez, no ministério desde 2015, ele havia sido indicado pela própria assembleia local para coordenar a celebração católica, mas se negou a cumprir o ritual, alegando convicções cristãs.
Prisão e recusa ao rito religioso
Aos ser convocado para a cerimônia, Velásquez ofereceu pagar uma multa — opção prevista pela comunidade —, porém a proposta foi rejeitada. No sábado (17), a assembleia exigiu que ele se ajoelhasse diante da imagem; diante da negativa, ordenou sua prisão.
Segundo o advogado Porfirio Flores Zúñiga, o líder religioso permaneceu detido por quatro dias. Durante o período, sofreu assédio e teve de assinar um documento em branco, supostamente para registrar uma “saída voluntária” do povoado.
Expulsão da família
Ao final da reclusão, o pastor foi levado à assembleia com as mãos amarradas e informado de que seria expulso junto com a esposa e a filha de três meses. A defesa classifica o episódio como deslocamento forçado motivado por intolerância religiosa.
Base legal e pedidos de punição
Em setembro de 2025, o Congresso de Oaxaca aprovou a Lei para Prevenir, Abordar e Reparar Integralmente o Deslocamento Forçado Interno, que prevê até 18 anos de prisão e multas quando o deslocamento ocorre por motivos religiosos. A defesa solicitou que a Procuradoria-Geral de Justiça estadual e a Secretaria de Governo apliquem a norma contra as autoridades comunitárias envolvidas.
Histórico de tensão religiosa na região
Flores Zúñiga lembrou que o município de San Juan Mazatlán Mixe já registrou casos semelhantes, como a expulsão de seis famílias em 2022 na comunidade de San Pedro Chimaltepec. Neste mês de janeiro de 2026, outras onze pessoas foram presas em Pinar Salinas, município de Zinacantán, Chiapas, pelo mesmo motivo: recusa em participar de uma festa católica tradicional.
Além da responsabilização criminal, a defesa pediu medidas de proteção imediata para o pastor e seus familiares, afirmando que “a liberdade de culto é um direito humano inalienável que o Estado deve garantir”. Até o momento, não há resposta oficial das autoridades estaduais sobre o caso.
Com informações de Folha Gospel