A detenção do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro por tropas dos Estados Unidos em 3 de janeiro de 2026 provocou um abalo imediato na rede de financiamento e abrigo que o regime oferecia a grupos armados e organizações criminosas que atuam na América Latina.
Levantamento da organização InSight Crime indica que a saída de Maduro do poder alterou o equilíbrio que mantinha guerrilhas colombianas e facções transnacionais instaladas no território venezuelano. Entre os principais beneficiados pelo antigo governo estavam o Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidências das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que operavam no país mediante acordos informais com autoridades chavistas locais.
De acordo com o relatório, essas organizações utilizavam a Venezuela como corredor estratégico para rotas de narcotráfico, exploração de mineração ilegal e refúgio seguro contra ações estatais. Com a mudança política em Caracas e a pressão direta de Washington por resultados no combate ao crime organizado, essa cobertura passou a desaparecer.
Retirada preventiva
Serviços de inteligência citados pelo InSight Crime relatam que, depois da captura de Maduro, comandantes e combatentes do ELN e de dissidências das Farc iniciaram retirada ou reduziram sua visibilidade em estados fronteiriços venezuelanos. O movimento é considerado preventivo diante da possibilidade de operações conjuntas entre Venezuela, Colômbia e Estados Unidos.
Em 6 de janeiro, o ministro da Defesa da Colômbia, Pedro Sánchez, declarou que o ELN passou a se sentir “mais inseguro” em território venezuelano e tenta concentrar forças em outras regiões. Outras estruturas, como a guerrilha Segunda Marquetalia e a facção criminosa Tren de Aragua, também vêm diminuindo suas atividades no país em razão da perda de apoio estatal e da maior previsibilidade de repressão.
Recado a cartéis
A prisão do ex-governante venezuelano também mudou o cálculo de risco de cartéis e facções que atuam em todo o continente. Em entrevista à emissora norte-americana Fox News, o vice-almirante da reserva da Marinha dos EUA Robert Harward afirmou que a operação de 3 de janeiro “envia um recado direto” não só a traficantes, mas a governos que oferecem proteção a redes criminosas. “Se vierem mexer no nosso quintal, vamos lidar com isso”, disse o oficial.
Analistas apontam que a nova conjuntura força grupos ilegais a rever rotas de drogas, esquemas de mineração e bases logísticas, agora sem o respaldo do Palácio de Miraflores.
Com informações de Gazeta do Povo