Um raio atingiu participantes da Caminhada pela Liberdade na tarde de domingo (25), em Brasília, deixando dezenas de feridos e provocando uma onda de críticas de parlamentares de esquerda ao idealizador do ato, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG).
O incidente ocorreu na Praça do Cruzeiro, ponto final da marcha que havia percorrido 240 quilômetros desde Paracatu (MG). De acordo com o Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, 72 pessoas foram atendidas; 30 precisaram ser levadas a hospitais, e oito estavam em estado instável. A corporação informou que a conjunção de chuva forte e a presença de um guindaste no local contribuíram para a descarga elétrica.
Parlamentares apontam “irresponsabilidade”
Poucas horas depois, deputados de partidos de esquerda usaram as redes sociais para responsabilizar Nikolas Ferreira.
O petista Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou em vídeo que o colega agiu de forma imprudente ao conduzir a caminhada às margens de rodovias sem autorização da Polícia Rodoviária Federal e, já em Brasília, manter a concentração sob forte tempestade. Para Farias, o parlamentar do PL teria buscado “tirar o foco do Banco Master” com o evento.
Erika Hilton (PSOL-SP) também criticou a realização do ato durante alerta de tempestade, declarando solidariedade aos feridos e acusando Nikolas de colocar apoiadores em risco por “ganhos pessoais e eleitorais”.
Vice-líder do governo na Câmara, Ana Paula Lima (PT-SC) classificou de “criminosos” os responsáveis pela marcha e ressaltou que a área estava sob alerta laranja emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Segundo ela, grades metálicas e o guindaste com bandeira do Brasil funcionaram como atrativos de descargas elétricas.
Na mesma linha, Erika Kokay (PT-DF) declarou que o episódio reflete “a lógica golpista” da extrema-direita, enquanto José Guimarães (PT-CE) criticou o ato por “colocar vidas em risco” para defender pautas que, segundo ele, buscam impunidade. Já Camila Jara (PT-MS) comparou o evento a outros episódios de mobilização política que, na visão dela, expuseram pessoas a perigo.
Caminhada de 240 km
Iniciada em 19 de janeiro em Paracatu, a Caminhada pela Liberdade reuniu apoiadores e parlamentares de direita ao longo de 240 quilômetros até a chegada a Brasília. O grupo declara ter como objetivo denunciar supostos abusos praticados pelo Supremo Tribunal Federal.
Até o fechamento desta reportagem, Nikolas Ferreira não havia se manifestado publicamente sobre as acusações dos colegas nem sobre o estado de saúde dos feridos.
Com informações de Gazeta do Povo