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Câmara analisa 39 propostas que tentam limitar poderes do STF

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Pelo menos 39 projetos de lei e propostas de emenda à Constituição tramitam na Câmara dos Deputados com o objetivo de restringir a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). As iniciativas, apresentadas por parlamentares de diferentes campos políticos, ganham impulso em meio à atual crise entre Legislativo e Judiciário.

O levantamento, divulgado pela Folha de S.Paulo neste domingo (25), mostra que a maior parte dos textos é assinada por integrantes da oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobretudo do PL, mas há sugestões vindas de partidos da base governista e da esquerda.

Temas em debate

As propostas tratam de assuntos como:

  • prisão de parlamentares;
  • limitação de decisões monocráticas;
  • uso de dados do Coaf;
  • conduta pública dos ministros do STF;
  • extinção de crimes de opinião.

Sete textos tipificam crimes de responsabilidade praticados por magistrados, prevendo até impeachment por manifestações políticas. Um projeto chega a prever responsabilização criminal por declarações que comprometam a imagem da Corte.

Situação no trâmite

Dos 39 projetos identificados:

  • 13 estão apensados a matérias já em análise;
  • 10 aguardam despacho do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB);
  • 12 tramitam em comissões à espera de relator ou parecer;
  • 1 depende da criação de comissão temporária;
  • 1 já está pronto para pauta na Comissão de Administração e Serviço Público.

Partidos que assinam as propostas

PL: 14 projetos
União Brasil: 9
Republicanos: 4
PSD: 4
PP: 3
Novo: 3
PSOL: 1
Cidadania: 1

Avanços mais rápidos

Duas iniciativas avançaram com maior velocidade:

  1. Competência sobre armas: Projeto da deputada Caroline De Toni (PL-SC) amplia a autonomia dos estados para legislar sobre armas de fogo. A matéria está pronta para votação em plenário e contraria entendimento do STF de que o tema é de competência exclusiva da União.
  2. Limite a medidas monocráticas: Proposta do deputado Marcos Pereira (Republicanos-SP), elaborada por juristas coordenados pelo ministro Gilmar Mendes, exige que decisões individuais no STF sejam submetidas automaticamente ao plenário, mantendo, porém, efeito imediato. O texto foi enviado ao Senado em dezembro.

Outras frentes

O PSOL apresentou um projeto criando um código de conduta para ministros, enquanto o PL 302/2023, do deputado Capitão Alden (PL-BA), critica a presença de magistrados em ambientes considerados político-ideológicos. Há ainda propostas que obrigam o Congresso a validar decisões judiciais que afastem parlamentares e PECs que permitem ao Legislativo sustar atos do Supremo.

Deputados Caroline De Toni e Antônio Carlos Nicoletti (União-RR) lideram em número de proposições, com sete cada um.

Os textos também abordam regulação de redes sociais, execução do Orçamento e a revogação de dispositivos classificados como “crimes de opinião”.

Com informações de Gazeta do Povo