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PGR pede ao STF arquivamento de queixa de jornalista contra autores da “Vaza Toga”

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Brasília – A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento da notícia-crime apresentada pela jornalista Letícia Sallorenzo de Freitas contra os jornalistas David Ágape e Eli Vieira, responsáveis pela série “Vaza Toga”, e contra o ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro.

Em manifestação entregue nesta sexta-feira (23), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentou que as supostas ofensas relatadas por Letícia dizem respeito à esfera de honra individual e devem ser discutidas nas vias cível ou criminal ordinárias, sem interferência da Corte Suprema. “Eventual impacto negativo à honra da noticiante poderá ser corrigido pela via individual, criminal e cível”, escreveu.

Acusações da jornalista

No documento enviado ao STF em outubro de 2025, Letícia alegou ter sido alvo de campanha digital coordenada após declarações de Tagliaferro. Ela pediu a responsabilização dos três por crimes como calúnia, difamação, injúria, ameaça, perseguição, incitação ao crime, organização criminosa, peculato, prevaricação, violação de sigilo funcional, coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Entre as agressões listadas, a jornalista mencionou termos como “bruxa do TSE”, “infiltrada” e “X-9”. A defesa sustenta que as postagens utilizaram a técnica de firehosing — alto volume de informações falsas repetidas — para comprometer sua reputação.

Contexto da “Vaza Toga”

Publicada a partir de 2023, a série “Vaza Toga” divulgou mensagens atribuídas a ex-assessores do ministro Alexandre de Moraes. Os diálogos indicariam uso informal da estrutura do TSE para subsidiar o inquérito das fake news conduzido no STF. Tagliaferro, que chefiou a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação entre agosto de 2022 e maio de 2023, passou a responder a processo no STF em novembro de 2025 por supostas violações de sigilo funcional, obstrução de investigação, coação no curso do processo e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Ele atualmente vive na Itália e é alvo de pedido de extradição do governo brasileiro.

Gonet destacou que a queixa de Letícia não tem vínculo com os inquéritos das milícias digitais (4874/DF) ou das fake news (4781/DF) já em curso no Supremo.

O pedido de arquivamento agora será analisado pelo relator do caso no STF. Não há prazo definido para a decisão.

Com informações de Gazeta do Povo