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Centrão usa manobras regimentais para segurar CPI do Banco Master

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Brasília, 23 jan. 2026 – Mesmo com assinaturas suficientes para criar três comissões parlamentares de inquérito, setores do Centrão atuam para impedir a instalação da CPI que investigaria o escândalo do Banco Master e de seu fundador, Daniel Vorcaro.

Manobras para adiar a comissão

Há requerimentos prontos para uma CPI na Câmara, outra no Senado e uma terceira de caráter misto. O regimento, porém, não define prazo para que os presidentes das Casas avaliem os pedidos. Ao simplesmente não pautar as leituras em plenário, a cúpula do Congresso mantém o processo parado durante o recesso legislativo.

No caso de comissão mista, basta a leitura do requerimento em sessão conjunta para instalá-la – razão pela qual a convocação dessas sessões vem sendo postergada.

Rede política de Daniel Vorcaro

Parlamentares atribuem a resistência à chamada “bancada de Vorcaro”. Antes de ser preso em novembro na Operação Compliance Zero, o empresário cultivou interlocução com nomes influentes, sobretudo do PP e do União Brasil.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) e Antônio Rueda, dirigente do União Brasil, são apontados como principais pontes do executivo em Brasília. Ambos teriam participado das tratativas para vender o Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), operação vetada pelo Banco Central.

FGC na mira

Em 2024, Nogueira apresentou emenda à PEC 65/2023 que eleva de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mudança vista como benéfica a bancos médios – perfil do Master.

Com a liquidação da instituição, os desembolsos do FGC podem chegar a R$ 46,9 bilhões, cerca de 40% da liquidez registrada pelo banco em junho de 2025 (R$ 121 bilhões).

Vínculos no Judiciário e na política

O caso ganhou peso extra após o jornal O Globo informar contrato do Banco Master com o escritório da advogada Vivian Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, no valor de R$ 3,6 milhões mensais.

Também passaram pela instituição o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o ex-presidente do BC Henrique Meirelles e o ex-presidente da República Michel Temer, contratado para tentar destravar a venda ao BRB.

Pressão a favor da CPI

Na oposição, o deputado Marcos Pollon (PL-MS) afirma que o escândalo “é mais grave que a Lava Jato” e pede investigação ampla. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) cita ligações do banco com o futebol – por meio do Atlético Mineiro – e possíveis conexões com o PCC.

Ambiente político desfavorável

Aliados do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), admitem reservadamente que o calendário eleitoral e o risco de desgaste institucional pesam contra a abertura imediata da CPI.

Análises sobre contenção

Para o mestre em Direito Arcênio Rodrigues da Silva, a proximidade entre Vorcaro, parlamentares e integrantes do Judiciário favorece manobras para limitar o alcance das investigações.

Já o auditor judicial Sthefano Cruvinel, especialista em contratos, avalia que a resistência expõe falhas nos mecanismos de responsabilização institucional e amplia a percepção pública de seletividade.

Até o momento, nenhuma das três CPIs requisitadas foi instalada, e o futuro da investigação permanece indefinido.

Com informações de Gazeta do Povo