A revista britânica The Economist publicou nesta semana reportagem sobre o escândalo que levou à liquidação do Banco Master, ressaltando impactos financeiros bilionários e reflexos na reputação de autoridades em Brasília.
Segundo a publicação, a instituição, comandada desde 2019 por Daniel Vorcaro, sustentava-se na venda de certificados de depósito bancário com juros elevados, apesar de não possuir liquidez. Em setembro de 2025, Vorcaro tentou vender o banco de forma abrupta, motivando o Banco Central a instaurar investigação. Pouco depois, ele foi preso ao tentar embarcar em um jato particular rumo a Dubai.
Prejuízo recorde ao Fundo Garantidor
A revista aponta que a quebra do Banco Master exigirá do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) desembolso estimado entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões para ressarcir depositantes — a maior indenização do tipo já feita no país.
Relações com autoridades
O texto menciona que o caso expôs conexões entre o banco e membros da elite política e judiciária brasileira, afetando a imagem do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso.
Entre os pontos citados, está um contrato avaliado em US$ 24 milhões, válido por três anos, firmado pelo Banco Master com um escritório de advocacia dirigido pela esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes. De acordo com a revista, reportagem de jornal não identificado revelou contatos frequentes entre Moraes e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, antes da liquidação do banco. Moraes alega que as reuniões tratavam de temas alheios ao Master, mas, em 14 de janeiro, abriu investigação para apurar possível vazamento de informações sobre o contrato pela Unidade de Inteligência Financeira (UIF) e pela Receita Federal.
A Economist também registra a participação do ministro Dias Toffoli em episódios relacionados à instituição. Conforme a revista, Toffoli viajou em jato particular com um advogado do Banco Master no mesmo período em que foi sorteado para relatar o caso no STF. Posteriormente, descobriu-se que Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, investiu mais de US$ 1 milhão em um resort pertencente aos irmãos de Toffoli. A publicação ressalta que não há evidências de que o ministro soubesse do investimento, mas afirma que os vínculos reforçam a percepção de falta de imparcialidade na corte.
O Banco Central segue investigando as operações da instituição, enquanto o FGC prepara o reembolso aos correntistas.
Com informações de Gazeta do Povo