São Paulo – José Eugênio Dias Toffoli, irmão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou nesta quinta-feira (22) que a empresa da família, Maridt Participações, já não integra o quadro societário do Tayayá Aqua Resort, hotel de luxo localizado em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro do Paraná.
Segundo nota divulgada por ele, a saída se deu em duas etapas. A primeira ocorreu em 27 de setembro de 2021, com a venda de parte das cotas ao Arleen Fundo de Investimentos. A segunda e definitiva alienação foi concluída em 21 de fevereiro de 2025, quando o restante da participação foi transferido à PHD Holding. Antes da venda, a Maridt chegou a deter aproximadamente um terço do capital do empreendimento.
José Eugênio afirmou que todas as transações foram “legais e devidamente comunicadas” à Receita Federal. O comunicado foi divulgado após reportagem do Estadão na qual a esposa dele negava envolver-se no negócio e exibia a sede da empresa, uma casa simples em Marília (SP).
Resort no centro de investigação financeira
O Tayayá ganhou destaque na imprensa depois de revelado que irmãos e um primo do ministro Dias Toffoli foram sócios do projeto e que o empreendimento recebeu aportes de fundos ligados ao Banco Master, investigado por suspeita de crimes financeiros. No fim de 2025, o controle passou ao advogado goiano Paulo Humberto Costa, que atua para a JBS.
Levantamento da Folha de S.Paulo indicou que o Arleen Fundo de Investimentos permaneceu acionista do resort até 2025 e investiu em uma incorporadora que tinha um primo de Toffoli como sócio. O fundo também aplicou recursos em produtos apontados pelo Banco Central como parte de uma rede de fraudes atribuída ao Banco Master.
Reportagem do portal Metrópoles mencionou suspeitas de que o hotel operava um cassino com caça-níqueis e mesas de pôquer, sendo referido por funcionários como “o resort do Toffoli”, apesar de a família já não figurar formalmente entre os proprietários. A fatia da Maridt foi vendida por cerca de R$ 3,5 milhões em fevereiro de 2025.
Ministro concentrou investigação
O ministro Dias Toffoli atraiu atenção após assumir no próprio gabinete a investigação da Polícia Federal sobre o Banco Master e impor sigilo sobre os autos. Há questionamentos de possível conflito de interesses, pois ele viajou a Lima, no Peru, a convite de um empresário e acompanhado de um advogado que defende um dos alvos da operação.
Com informações de Gazeta do Povo