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Senador aciona PGR pela quarta vez para afastar Toffoli do caso Banco Master

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Brasília — 23/01/2026. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) apresentou novo pedido à Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli seja afastado da relatoria das investigações sobre o Banco Master. O parlamentar sustenta que recentes revelações sobre vínculos entre o magistrado e o resort de luxo Tayayá, no interior do Paraná, configuram possível conflito de interesses e comprometem a imparcialidade do processo.

Esta é a quarta solicitação de afastamento encaminhada à PGR. Três requerimentos anteriores, protocolados por deputados federais em dezembro de 2025, foram arquivados pelo procurador-geral Paulo Gonet, que considerou insuficientes os elementos apresentados na época, entre eles a viagem de Toffoli a Lima (Peru) acompanhado do advogado de um dos investigados.

Relação com o resort Tayayá

Girão baseia o novo pedido em reportagens que apontam participação do Arleen Fundo de Investimentos no Tayayá até 2025. O mesmo fundo também realizou aportes em uma incorporadora que tinha um primo de Toffoli como sócio. A PGR foi informada de que o Arleen integrava cadeia de investimentos ligada ao circuito de fraudes sob apuração no Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.

Procedimentos excepcionais na Operação Compliance Zero

O senador cita ainda decisão de Toffoli que enviou diretamente ao seu gabinete todo o material apreendido na segunda fase da Operação Compliance Zero, sem perícia prévia da Polícia Federal. Segundo Girão, a medida rompe práticas consolidadas do processo penal e reforça “questionamentos sobre o devido processo legal e a garantia do juiz natural”.

Relatos sobre casino e venda de cotas

Reportagem do portal Metrópoles indicou que o Tayayá opera máquinas caça-níqueis e mesas de pôquer, sendo chamado por funcionários de “o resort do Toffoli”. Em fevereiro de 2025, parentes do ministro venderam a participação no empreendimento por cerca de R$ 3,5 milhões para uma holding do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já defendeu empresas do grupo J&F. Parte das cotas havia sido repassada anteriormente a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro.

Levantamento do Estadão mostrou ainda que a sede de uma empresa citada na investigação está registrada em uma casa simples no interior paulista onde mora o irmão de Toffoli, José Eugênio Dias Toffoli, listado como diretor-presidente da companhia. A família nega envolvimento com o resort.

Com o novo pedido, caberá à PGR avaliar se há elementos para requerer o afastamento de Dias Toffoli ao Supremo Tribunal Federal.

Com informações de Gazeta do Povo